terça-feira, 29 de setembro de 2015

O HÁBITO CORAL



Por Blasius Ludovicus
Apresentamos uma tradução nossa do Manual Liturgico do R.P. Ambrosio Hays (espanhol), com alguns acréscimos do Padre Stercky (francês) sobre o hábito coral, ou seja, as vestes usadas no coro para as cerimônias. [1]
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O hábito coral ordinário compreende obrigatoriamente abatina, a sobrepeliz ou cota e o barrete[2]. Pode-se conservar o costume, onde exista, de não usar o barrete, exceto[3]os revestidos dos paramentos sagrados, que nunca podem prescindir do barrete. Mas, ainda que os cônegos e demais coristas não usem o barrete, os seminaristas o podem usar[4].

Distinção de roquete, sobrepeliz e cota
1. Não se deve confundir, nem mesmo no modo de falar, a sobrepeliz com a cota nem, sobretudo, com o roquete, pois:
a) o roquete tem mangas como a alva e suas rendas podem ser em maior quantidade do que o próprio tecido;
b) a sobrepeliz tem mangas largas e longas e suas rendas não devem ser maiores que o próprio tecido;
c) a cota tem mangas curtas e gola quadrada, geralmente sem rendas.
2. Uma sobrepeliz sem mangas ou com mangas estreitas é uma veste deformada e não está conforme o uso da Liturgia Romana.  Infelizmente no Brasil, principalmente, perdeu-se muito essa distinção.
3. A sobrepeliz é uma veste de tecido, e se nada há de prescrito a respeito de sua matéria nas rubricas, o Concilio Plenário Latino Americano (n. 904) manda fazê-la de linho ou cânhamo.[5]O contrário seria certamente afastar-se do pensamento da Igreja, da tradição eclesiástica, do ensinamento dos melhores liturgistas e da prática geral (can. 11296, 3).
4. Pode-se (e atéconvém) benzer a sobrepeliz ou a cota (não obrigatoriamente), mas só podem benzê-la os facultados pelo can. 1304, empregando a fórmula do Ritual (tit. 9, cap. 9, n. 2), usando a palavra "hoc superpellicem".
5. Estas três vestes (roquete, sobrepeliz e cota) não devem descer abaixo do joelho.
6. O uso do roquete é exclusivo dos cardeais, bispos e demais prelados, podendo colocar nas rendas de suas mangas um fundo da cor da respectiva dignidade (SCR, n. 3780 ad 5) ou a cor concedida pela Santa Sé.
7. O uso da sobrepeliz ou da cota éindispensável para todas as funções que exigem estola.  Entretanto, o B pode administrar os sacramentos só com o roquete, sem a sobrepeliz.
8. No coro só são admitidas pessoas revestidas com as vestes corais.[6]

O uso do barrete em geral
8. O barrete litúrgico tem três pontas; o barrete com quatro pontas é a insígnia de doutorado e pode-se usar nas sessões acadêmicas, mas nenhum doutor, mesmo que seja B, pode usar o barrete de quatro pontas nas funções litúrgicas.[7]
1. Para todos os eclesiásticos, exceto os cardeais (cor vermelha) e os Bispos (cor roxa), o barrete e inteiramente preto, mesmo para os prelados de batina roxa; contudo, estes últimos podem ter a borla do barrete roxa ou violácea.
2. Usam o barrete nas funções litúrgicas:
a) Os ministros revestidos, para ir ao altar e ao se retirar no final, mesmo que seja só com o manípulo e estola, inclusive o Cel da Missa Rezada;
b) durante as funções, os ministros sagrados quando estão sentados, não obstante costume contrário;[8] os ministros inferiores nunca usam barrete, salvo quando se sentam entre os do coro, como fazem também estes quando estão sentados, mesmo durante a pregação.
c) o pregador deve usar o barrete.[9]


O uso do barrete nas procissões
3. O clero dentro da igreja vai com a cabeça descoberta, fora dela cobre-se com o barrete; os ministros paramentados, dentro e fora da igreja, vão com o barrete na cabeça.
4. Nas procissões com o Santíssimo e com a Relíquia da Santa Cruz, o uso do barrete está proibido a todos, mesmo fora do templo.
5. Em toda procissão, dentro e fora da igreja, vão descobertos os Acs, Cers e os demais encarregados de dirigir a procissão[10] e os que levam as relíquias, a cruz, imagens e estandartes. Se o Cel leva o relicário, não se cobre com o barrete[11]nem seus ministros assistentes.
6. Se a procissão se verifica no interior da igreja, todo o clero permanece com a cabeça descoberta, menos os que estão paramentados. Se a procissão sai da igreja, cada qual coloca o barrete assim que estiver fora da igreja, menos o Tur, Cru, Acs e o Cer, os quais sempre permanecem com a cabeça descoberta.
7. Não se usa o barrete:
a) Em quaisquer funções diante da Santíssima Majestade exposta, publica ou privadamente, mesmo que esteja com véu, nenhum eclesiástico, inclusive o pregador, pode usar o barrete, e qualquer costume contrário deve ser eliminado como abuso[12];
b) na administração dos sacramentos. Entretanto, para a Penitência é louvável usá-lo, já que o confessor faz o ofício de juiz;
c) para fazer inclinações e genuflexões, salvo o Cel ao ir e ao voltar do altar levando o cálice nas mãos;
e) para dar alguma bênção: "stando semper benedicat   et aperto capite".



[1] nn. 95.98-101, p. 47-51; cf. Stercky, t. I, nn. 82-84.
[2] SCR, n. 1819 ad 2.
[3] SCR, nn. 3104 ad 11; 3746.
[4]   SCR, n. 3746 ad 2.
[5] Há o costume de fazer, aquelas mais simples, de tecido mais simples (por exemplo, orford).
[6] SCR, nn. 2079 ad 10; 3549.
[7] SCR, nn. 2877. 3873 ad 5.
[8] SCR, n. 3104.
[9] Caer. Ep. l. I, cap. 22, n. 3.
[10] SCR, n. 2769 ad 6.
[11] SCR, n. 1043.
[12]   SCR, nn. 488.2769.

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