domingo, 27 de setembro de 2015

O QUE É A SANTA MISSA?

                             



Por Blasius Ludovicus
Doutrina da Igreja
A Santa Missa da Igreja Católica é “a essência de tudo o que há de bom e belo”[1], ou seja, é o Sacrifício de Jesus Cristo, morto e ressuscitado por amor dos homens.
A Instrução Geral do Missal Romano de 1970 (Paulo VI) diz que a Missa é o centro da vida da Igreja, tanto universal como local e centro da vida de cada um dos fiéis[2]. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único Sacrifício na liturgia da Igreja, que é corpo dele”[3]. E ainda: “Fonte e ápice de toda a vida cristã”[4], “o resumo e a suma de nossa fé”[5].
A Santa Igreja, numa busca de expressar de modo claro e firme a realidade que a Santa Missa torna presente, encontrou um nome para ela capaz de expressar, sem erro e com satisfação, tudo o que ela é e contém: Santo Sacrifício.

Só o Sacrifício de nossa santa religião, que é a Santa Missa, é um Sacrifício santo, perfeito, e, em todo sentido, completo: por ele, cada fiel honra dignamente a Deus, reconhecendo, ao mesmo tempo, o próprio nada e o supremo domínio de Deus.[6]
“A Paixão de Cristo é o próprio Sacrifício que oferecemos”[7]. “Por ser memorial da Páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um Sacrifício”[8], pois na Santa Missa Cristo nos dá o Corpo que “entregou por nós na Cruz, o próprio Sangue que ‘derramou por muitos para a remissão dos pecados’”[9]. A Santa Missa é, “portanto, um Sacrifício porque re-presenta (torna presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica os seus frutos”[10].
A doutrina da Igreja é clara: “O Sacrifício de Cristo e o Sacrifício da Eucaristia são um único Sacrifício”[11]. Nos mesmos moldes ensina o Código de Direito Canônico:

Augustíssimo Sacramento é a Santíssima  Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da Cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo.[12]

Os Santos e a Santa Missa
São João Crisóstomo dizia que, na Santa Missa, Jesus “deu-se todo não reservando nada para si”[13] e por isso “não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente ‘doente de amor’”[14]. E São Boaventura nos anima a aproximarmo-nos da Sagrada Comunhão, mesmo que friamente, confiando-nos à misericórdia de Deus[15]. Pois “duas espécies de pessoas devem comungar frequentemente: os perfeitos para se conservarem perfeitos, e os imperfeitos para chegarem à perfeição”.[16]
Segundo o Papa São Pio X “a devoção à Eucaristia é a mais nobre de todas as devoções, porque tem o próprio Deus por objeto; é a mais salutar porque nos dá o proprio autor da graça; é a mais suave, pois suave é o Senhor”[17] e ainda “se os Anjos pudessem sentir inveja, nos invejariam porque podemos comungar”[18].
         São Gregório afirma que “nosso corpo unido ao Corpo de Cristo, adquire um princípio de imortalidade, porque se une ao Imortal”.[19] Por isso, Santa Teresinha exortava: “Não é para ficar numa âmbula de ouro, que Jesus desce cada dia do Céu, mas para encontrar um outro céu, o da nossa alma, onde Ele encontra as suas delicias”.[20] E Santa Teresinha explica que “quando o demônio não pode entrar com o pecado no santuário de nossa alma, quer pelo menos que ela fique vazia, sem dono e afastada da Comunhão.”[21] Portanto, procuremos sempre levar vida reta e santa, sempre alimentados pelo Santíssimo Sacramento e purificados pela Penitência.
São João Crisóstomo diz que durante a Santa Missa o altar está circundado de Anjos que aí se reúnem para adorar a Jesus Cristo. São Agostinho chega até a dizer que os Anjos se colocam ao lado do Sacerdote para servi-lo como ajudantes.
São Cipriano ensina que “o Sacerdote exerce realmente o oficio de Jesus Cristo” (Ep. 62). Por isso o Sacerdote diz, na elevação: “Isto é o meu Corpo; este é o cálice de meu Sangue”.
Belarmino (De Euch. 1.6, c. 4) escreve que o Santo Sacrifício da Missa é oferecido por Jesus Cristo, pela Igreja e pelo Sacerdote; não, porém, do mesmo modo por todos: Jesus Cristo oferece como o Sacerdote principal, ou como oferente próprio, mas por intermédio de um homem, que é ao mesmo tempo Sacerdote ministro de Cristo; a Igreja não oferece como sacerdotisa, por meio de seu ministro, mas como povo, por intermédio do Sacerdote; o Sacerdote, finalmente, oferece como ministro de Jesus Cristo e como medianeiro de todo o povo.
O Concílio de Trento diz que:
Devemos reconhecer que nenhum outro ato pode ser praticado pelos fiéis que seja tão santo como a celebração deste tremendo Mistério [da Missa]. O próprio Deus todo ­poderoso não pode fazer que exista uma ação mais sublime e santa do que o Sacrifício da Missa. Este Sacrifício de nossos altares ultrapassa imensamente todos os sacrifícios do Antigo Testamento, pois que já não são bois e cordeiros que são sacrificados, mas é o próprio Filho de Deus que se oferece em Sacrifício.
A Santa Missa não é somente uma representação do Sacrifício da Cruz,
mas também uma renovação do mesmo Sacrifício, porque em ambos é o mesmo Sacerdote e a mesma Vítima, a saber, o Filho de Deus Humanado. Só no modo de oferecer há uma diferença: o Sacrifício da Cruz foi oferecido com derramamento de Sangue; o Sacrifício da Missa é incruento; na Cruz, Jesus morreu realmente; aqui, morre só misticamente. (Conc. Trid., Sess. 22, c. 2). 



[1] São Leonardo de Porto-Mauricio, “As excelências da Santa Missa”, p. 5. Versão online. (Será citado simplesmente como São Leonardo)
[2] Cf. Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), n. 16, p.37, tradução oficial da CNBB.
[3] Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 1362, p. 375.
[4] Ibid, n. 1324, p. 365.
[5] Ibid, n. 1327, p. 365.
[6] São Leonardo, p. 6.
[7] São Cipriano, Epist. Ad Caeciliam, apud Padre Martinho.
[8] Ibid, n. 1365, p. 376.
[9] Idem.
[10] CIC, n. 1366, p. 376.
[11] Ibid, n. 1367, p. 376.
[12] Código de Direito Canônico (CDC), cân. 897, p. 237 (versão tamanho pequeno).
[13] Apud Professor Felipe Aquino, Escola da Fé: I Sagrada Tradição, p. 88 (Será citado simplesmente como Aquino).
[14] Aquino, p. 88.
[15] Idem.
[16] São Francisco de Sales apud Aquino, p. 88.
[17] Apud Aquino, p. 90.
[18] Idem.
[19] Apud Aquino, p. 91.
[20] Ibid.
[21] Ibid.

Nenhum comentário:

Postar um comentário