domingo, 27 de setembro de 2015

O SACRAMENTO DA CONFISSÃO

Por Blasius Ludovicus




           Dando à Igreja os sinais sensíveis de Sua presença, auxílio e misericórdia, Jesus nos deu o Sacramento da Confissão, no qual podemos recuperar o estado de graça e nos aproximarmos do próprio Autor da santidade.

          “Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, e a qual colabora para sua conversão com caridade, exemplo e orações.”[1]

          Nosso Senhor instituiu este Sacramento “para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do Batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial.”[2] Por isso, ao nos apresentarmos diante do sacerdote, diante de Deus, nos entregamos ao Juiz supremo e assim, de certo modo, antecipamos aquele terrível julgamento do último dia, pois, aqui e agora, podemos escolher a morte ou a vida, o Céu ou o Inferno.[3]
          
         Realmente o Sacramento da Confissão é uma antecipação do juízo, pois nele temos a oportunidade de fazermos as pazes com Aquele de quem nos fizemos inimigos com o pecado.  Por isso, o sacerdote torna-se ali nosso juiz. Somos pecadores e o sacerdote, in persona Christ, ouve nossa própria acusação, exorta-nos, absolve-nos e nos dá a penitência a ser feita em reparação do pecado. Se o sacerdote ouve nossa confissão na Pessoa de Cristo, então, somos levados a demonstrar muita humildade e arrependimento, humilhando-nos de joelhos aos pés de nosso juiz.
           
            Porém, para a recepção deste Sacramento são necessários alguns atos da parte do penitente, a fim de demonstrar que “em seu coração está o arrependimento; em sua boca, a acusação; em suas obras, plena humildade e proveitosa satisfação ”.[4]

       É necessário que o penitente tenha a contrição, ou seja, seja levado ao sacerdote com uma “dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro ”.[5] Quando a contrição brota do amor a Deus acima de tudo, então esta é a chamada contrição perfeita, pois encontra diretamente em Deus seu fundamento. Quando a contrição brota da consideração sobre o peso do pecado cometido que poderá levá-lo ao fogo do Inferno, então esta é chamada contrição imperfeita, pois embora seja boa não nasce diretamente da consideração da Pessoa de Deus. Os dois tipos de contrição são dons de Deus.[6]

          O pecador realmente arrependido, verdadeiramente contrito, pensa em seus pecados, considera seus efeitos, chora sua culpa. Isto é precisamente o exame de consciência pedido pela Igreja. Examinar a própria consciência é voltar-se para o interior, considerando o próprio nada e admitindo a extrema necessidade de Deus. 

          Deste modo estamos preparados para a Confissão propriamente dita. É condição necessária e essencial que o penitente enumere todos os pecados mortais conscientes. Assim, ele encara seus próprios pecados assumindo a responsabilidade de cada um deles, pondo-se sob a infinita bondade de Deus que o acolhe de volta à comunhão da Igreja na pessoa do sacerdote. Esconder algum pecado conscientemente é recusar a graça do perdão.[7]

         É recomendada também a confissão dos pecados veniais, embora não seja obrigatória, pois estes podem ser perdoados, por exemplo, na Santa Missa.
Depois da Confissão ainda se faz necessária a satisfação que é a reparação dos próprios pecados. A absolvição tira o pecado, mas não repara todos os danos, sendo assim necessário que o arrependido repare seus pecados com a penitência. Por exemplo: se confessei que roubei, então devo procurar restituir o roubo ao legítimo dono; se confessei que levantei falso testemunho, devo procurar desfazer a mentira; se confessei ter feito intrigas, devo desfazê-las.[8]


            “Conforme  o mandamento da Igreja, ‘todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar seus pecados graves, dos quais tem consciência, pelo menos uma vez por ano’ . Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental , a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor .”[9]

          Ao recebermos este Sacramento salutar, como manda a Santa Mãe Igreja, nos reconciliamos com Deus, e usufruímos da paz e tranqüilidade de consciência, devido à intensa consolação espiritual que sentimos por meio perdão dos pecados.[10]
Uma vez perdoados não há ação mais justa do que agradecer o bom Deus pela graça de retornarmos à Sua santa amizade, pois sem Deus não somos nada e nada podemos fazer. Deus é Quem nos sustenta, Ele é o nosso Tudo.





[1] São JOÃO PAULO II, Catecismo da Igreja Católica, n. 1066
[2] Ibid, n. 1446.
[3] Cf. Ibid, n. 1470.
[4] Ibid, n. 1050.
[5] Ibid, n. 1051.
[6] Ibid, n. 1052-53.
[7] Cf. Ibid, n. 1455-56.
[8] Cf. Ibid, n. 1459.
[9] Ibid, n. 1457.
[10] Cf. Ibid, n. 1468.

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