domingo, 27 de setembro de 2015

OS QUATRO FINS DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA[1]










Por Blasius Ludovicus

I - Missa: um Sacrifício Latrêutico 

[HOLOCAUSTO = latria = adoração a Deus]

No Antigo Testamento procuravam os homens honrar a Deus por toda a espécie de sacrifícios; no Novo Testamento, porém, presta-se maior honra a Deus com um só Sacrifício da Missa do que com todos os sacrifícios do Antigo Testamento, que eram só figuras e sombras da sagrada Eucaristia. 
Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos Santos, todos os trabalhos dos Apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos Serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto a honra que Deus recebe pelo Santo Sacrifício da Missa é infinita, visto que lhe é prestada por uma Pessoa divina.
Ainda que se sacrificasse a vida de todos os Anjos e Santos, mesmo assim esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita que lhe dá uma única Santa Missa.


II – Missa: um Sacrifício Propiciatório

[HÓSTIA = propiciatório =  expiação = tornar Deus propício]

Que a Santa Missa é verdadeiramente um Sacrifício propiciatório, que inclina Deus a nos perdoar não só a pena mas também a culpa dos pecados, pode-se deduzir já da instituição da sagrada Eucaristia, que foi feita especialmente para a remissão dos pecados: “Este é o meu sangue, que será derramado por muitos, para a remissão dos pecados”, disse Jesus Cristo (Mt 26, 28). Numa palavra, a Santa Missa abre os tesouros da divina misericórdia em favor dos pecadores.
Se se sacrificasse a vida de todos os homens e Anjos, a Justiça Divina não seria satisfeita devidamente nem sequer por uma única falta que a criatura tivesse cometido contra seu Criador. Só Jesus Cristo podia satisfazer por nossos pecados: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 2, 2).

III – Missa: um Sacrifício Eucarístico

[S. EUCARÍSTICO = hóstias pacíficas = ação de graças]

É justo e razoável que agradeçamos a Deus os benefícios que nos fez em sua infinita bondade. Se Deus nos tivesse dado uma única vez um sinal de sua afeição, estaríamos obrigados a um agradecimento infinito, porque esse sinal de amor seria o favor e dom de um Deus infinito.
A Vítima que é oferecida ao Eterno Pai na Santa Missa é seu próprio Filho, em quem pôs toda a sua complacência. Por isso dirigia Davi suas vistas a este Sacrifício, quando excogitava [pensava] um meio de agradecer a Nosso Senhor pelas graças recebidas: “Que darei ao Senhor por tudo o que ele me tem feito?” pergunta ele, e responde: “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor (Sl 115, 12).

IV – Missa:um Sacrifício Impetratório 
[IMPETRATÓRIO =  impetração = pedir graças a Deus]

Se já temos a segura promessa de alcançar tudo que pedimos a Deus em nome de Jesus Cristo (Jo 16, 23), muito maior deve ser a nossa confiança se oferecemos a Deus seu próprio Filho. Este nosso amante Salvador roga por nós sem cessar lá no Céu (Rom 8, 34), mas, de modo todo especial, durante a Santa Missa, em que se sacrifica a seu Eterno Pai, pelas mãos do Sacerdote, para nos alcançar suas graças. 
Se soubéssemos que todos os Santos e a Santíssima Virgem estão rezando por nós, com que confiança não esperaríamos de Deus os maiores favores e graças. Está, porém, fora de dúvida que um só rogo de Jesus Cristo pode infinitamente mais que todas as súplicas dos Santos.





A QUEM SE ESTENDE OS FRUTOS DA SANTA MISSA?

Os frutos da santa Missa se estendem, em certo grau, a todos os membros da Igreja, aos vivos e defuntos, mas especialmente:
1) ao sacerdote que celebra o Santo Sacrifício;
2) àqueles por quem especialmente é oferecido;
3) a todos que assistem devotamente ao Sacrifício.

A QUEM É OFERECIDO O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA?

Oferecemos o Santo Sacrifício da Missa é unicamente oferecido a Deus, pois somente Ele é Santo e digno de tal Sacrifício. Este oferecimento pode ser feito ao celebrarmos a memória dos Santos, os quais unem suas preces e méritos à nossa oferenda e oração.




[1] Conforme Santo Afonso

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