terça-feira, 29 de setembro de 2015

QUEM É O CERIMONIÁRIO?

Por Blasius Ludovicus

Na sagrada Liturgia cada pessoa tem seu papel e sua importância. Na Missa Tradicional tem grande destaque a pessoa e função do Cerimoniário, quando está previsto. 
O Caeremoniarius ou Magister caeremoniarum ou ainda o Praefectus caeremoniarum, estritamente falando, é um clérigo que tem o cargo de velar pelo cumprimento exato e digno das cerimônias nas funções solenes da Missa e do Ofício[1], e noutras solenidades. Segundo o Cerimonial dos Bispos (Forma Extraordinária), o Cerimoniário das funções pontificais deve ser de Ordens maiores; mas conforme a prática atual, os minoristas exercem validamente esta função, pois segundo a prática geral, a exigência de um ordenado in sacris para esta função só é observada a rigor nas catedrais e nos ofícios mais solenes. 
Na Missa Pontifical solene dever haver dois Cerimoniários, um para o Bispo e seus assistentes, outro para os demais ministros[2], a fim de que todos executem com perfeição os divinos ofícios.[3] Pode haver também um Cerimoniário na Missa Cantada sem ministros sagrados[4]. No caso dos Cerimoniários minoristas, não podem fazer nada que seja próprio de alguma Ordem sagrada[5]. Portanto, se limitará a dá os sinais para os diversos movimentos[6], observando as regras gerais dos ministros inferiores, e passar as folhas do missal.
O Cerimoniário usará sempre batina[7] e sobrepeliz para desempenhar suas funções (nunca usa capa, mozeta ou barrete[8]). Em geral seus deveres são: preparar e conferir antes da cerimônia se tudo está bem disposto em seus lugares (sacristia, credência, altar, banquetas). Nas funções sagradas cuidará de todos, mas especialmente do Celebrante[9] e ministros sagrados, a fim de que todos cumpram as rubricas com fidelidade e exatidão. Deve indicar com modéstia (com um sinal ou com a voz[10]) quando e como um ministro deve executar uma cerimônia. Por isso, apesar de assinalarmos algum lugar mais indicado, na verdade não tem lugar fixo, pois deve estar onde sua presença é necessária para a perfeita execução das cerimônias.
Os seus movimentos devem ser feitos com gravidade, sem afetação, evitando falar sem necessidade. Terá o corpo ereto, direito, cabeça erguida, mas os olhos baixos, para nunca olhar diretamente para o povo, guardando o espírito tranquilo e sereno. E assim ele intervirá nas cerimônias não só por causa do Celebrante, mas, sobretudo, para que o cerimonial seja cumprido com dignidade em honra de Deus. Por isso, todos devem obedecê-lo no que diz respeito ao desenrolar das cerimônias[11]. O Cerimoniário deve velar também pela correção e eliminação dos abusos[12], como mandou a então Sagrada Congregação dos Ritos[13].
Por isso, deve-se promover e aproveitar bem os ensaios, tanto daqueles que desempenharão alguma função quantos dos próprios Cerimoniários. É necessário que o Cerimoniário conheça com segurança cada cerimônia e não só a sua função, mas a de todos os ministros.
No cumprimento de suas funções o Cerimoniário deve cercar de atenção a todos e a cada um dos ministros, especialmente o Celebrante, com o cuidado e respeito que a santidade da casa de Deus exige[14]. E não proceda atropeladamente, mas guarde sua cabeça (especialmente os olhos) de toda leviandade nos movimentos, nem estenda a mão mais do que o decoro o permite.
Em resumo: cumpram suas funções grave, pausada e decorosamente, sem afetação, com virilidade, de modo a inspirar nos demais a devoção e o respeito.[15]





[1] Cf. Caer. Ep.  liber I, cap. V, n. 1; Stercky, t. II, n. 640.
[2] Cf. Caer. Ep. l. I, cap. V, n. 1; Stercky, t. II, n. 140, 6.
[3] Cf. SCR, n. 1904.
[4] SCR, n. 33771.
[5] Cobrir e descobrir o cálice, colocar água no cálice, colocar e tirar a pala, purificar o cálice e cobri-lo com o véu, etc.
[6] Uma palma para fazer genuflexão ou para se levantar, caso esteja de joelho; duas palmas para se ajoelhar ou fazer genuflexão dupla; vênia para se levantar, caso esteja sentado, ou para se descobrir, ou para se inclinar, ou para chamar alguém. Para chamar alguém, fará uma inclinação mais ou menos profunda, conforme a dignidade da pessoa (cf. Stercky, t. II, n. 642, 4).
[7] Ordinariamente preta, o Cerimoniário do senhor Bispo nos ofícios pontificais mais solenes usará a violácea (SCR, nn. 2286, 24269, 1213, 23102, 2578).
[8] Stercky, t. II, n. 641.
[9] Sempre saúda o Cel com uma inclinação medíocre ao passar diante dele (Stercky, 642, 9).
[10] Cf. Stercky, t. II, n. 140, 6; Caer. Ep. l. I, cap. V, n. 3.
[11] Cf. Caer. Ep. l. I, cap. V. n. 5; SCR, nn. 23075, 257810, 32014.
[12] Martinucci, I, 15, 4.
[13] SCR, n. 1884.
[14] Cf. Caer. Ep.  l. I,  cap. 5, n. 3.
[15] Cf. Caer. Ep. l. I, cap. 5, n. 1s; Solans, Manual Litúrgico, t. I, n. 336, pp. 312-314; Curso de Liturgia Romana, n. 1205, pp. 400-401; Diccionario manual de Liturgia, p. 249; Reus,Curso de Liturgia, n. 810, pp. 400-402; Praxis Pontificalis, V, nn. 1-8, pp. 55-66.

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