quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O Summorum Pontificum de Bento XVI



Por Blasius Ludovicus


Desde as primeiras mudanças no Ordo Missae a Igreja ouviu rumores sob seu teto e quando apareceu o novo Ordinário (novus ordus) da Missa houve de Roma até a mais pobre das capelas manifestações favoráveis e desfavoráveis.

No Brasil, desde a publicação da primeira edição do Missal de Paulo VI até hoje (ainda na espera da terceira edição!), quase cinquenta anos depois, é possível constatar os frutos da última reforma litúrgica no Vaticano II. Porém, é bom tomarmos para nós as palavras do Santo Padre Bento XVI: A alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao concílio deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não cortar as raízes de que vive a árvore.[1]
Assim temos dois deveres importantíssimos na Igreja: o primeiro é aceitar o magistério e autoridade do Santo Concílio Ecumênico Vaticano II, e sua reta interpretação na pessoa do Romano Pontífice e demais Padres; segundo é aceitar com reverência todo o Magistério da Igreja anterior ao próprio concílio (o qual deu continuidade ao mesmo Magistério).
Com a publicação do novo Missal em 1970, o Papa Paulo VI deu à Igreja uma reformada e renovada[2] forma de celebrar a Santa Missa. Esta se tornou a forma mais comum e, rapidamente, ganhou a simpatia de muitos católicos, enquanto que outros preferiam a forma anterior (Extraordinária) e uma minoria, ainda, aceitavam e queriam as duas formas. Infelizmente percebeu-se um distanciamento, muitas vezes provocados e até mesmo obrigados, do Rito que, desde tempos imemoráveis e até mesmo durante o Vaticano II, era usado para a Santa Missa. Consequentemente a geração pós Vaticano II, quase que totalmente, só conheceu a forma de 1970 e tudo o que ouvia falar da Liturgia anterior se resumia em “latim” e “padre de costas para o povo”! No entanto, “não poucos fiéis aderiram e seguem com muito amor e afeto as formas litúrgicas anteriores[3].
Em 2007 o Papa Bento XVI, como pai providente, ofereceu de motu proprio e como um presente, a todos os sacerdotes e fiéis o direito de celebrarem ou terem acesso à Liturgia anterior à reforma de 1970, declarando: “Portanto, é lícito celebrar o Santo Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano promulgada pelo Bem-aventurado João XXIII em 1962, e nunca ab-rogada[4].
Por isso, muitas comunidades e grupos de fiéis querem ter a celebração da Santa Missa também segundo o Missal do Papa São João XXIII. Eis que os fiéis tomam consciência de que é seu direito receber e “poder usar” o presente dado diretamente de nosso príncipe, Bento XVI.
Porém, com a publicação desta Carta Apostólica sob a Forma de Motu Proprio Summorum Pontificum do Papa Bento XVI houve novamente na Igreja rumores antigos e novos. Diante de tudo isso, encontramos opiniões diversas e um cenário ainda não muito aberto para a realização do Summorum Pontificum
Para alguns esta realização seria um verdadeiro bem espiritual e catequético-doutrinal sobre a Santa Missa para nossa geração, por causa do grande tesouro em símbolos e significados da Missa de João XXIII; para outros isso seria um “retorno à Idade Média” (o que é no mínimo um grande exagero!) e uma ameaça a tudo o que o Vaticano II pretendeu. Outros ainda perguntam: “Para quê voltar às coisas passadas, arcaicas, que não tem nada com nossa geração e nosso mundo?” “Para quê essas fórmulas e esse rito ultrapassados que, numa língua que ninguém entende, impedem o entendimento dos fiéis leigos?” “Por que voltar a este rito que é centrado no padre e excluir a participação dos leigos?”.
A essas perguntas (que demonstram tremenda ignorância litúrgica) não queremos dar respostas prontas, mas oferecer a oportunidade de que descubram por si mesmos as devidas respostas com o material que aos poucos iremos disponibilizando aqui.
Por enquanto, basta-nos saber que tudo o que buscamos fazer é em comunhão com a Santa Igreja[5] e empenhando-nos a “levar uma vida santa”, promovendo o crescimento da própria Igreja[6] naquilo que podemos. Basta-nos, ainda, ver a felicidade de tantos católicos que, engajados nas diversas pastorais e movimentos eclesiais, acolhem, desejam e buscam o acesso à Forma Extraordinária do Rito Romano. É impressionante ver o grande número de jovens que se interessam pelo silêncio, sobriedade, orientação, centralidade e profundidade das orações da Liturgia bimilenar da Igreja! Isto só pode ser um sinal de Deus confirmando a vontade do Santo Padre Bento XVI!
Tendo em vista toda a problemática, ou melhor, os desafios de toda essa história é que oferecemos nossa humilde contribuição a todos os interessados pelo Rito Romano como um todo.
Hoje, oito anos depois do Summorum Pontificum, mesmo ainda encontrando incompreensões, já podemos ver um cenário que melhora a cada dia em relação à Missa Tradicional. Lembro de alguns anos atrás quando falar da Missa de São Pio V parecia um crime ou pecado!...
Rezemos sempre para que no seio da Igreja seus filhos se encaminhem sempre para a paz, inclusive litúrgica.  



[1] Papa Bento XVI, Carta aos bispos da Igreja Católica, a proprósito da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre.
[2] Motu Proprio Summorum Pontificum, p. 7.
[3] Ibid, p. 8.
[4] Ibid, p. 9.
[5] CDC, 209.
[6] Ibid, 210.

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