terça-feira, 20 de outubro de 2015

Observações e regras gerais para coroinha

Por Blasius Ludovicus

Em nossa exposição sobre as sagradas cerimônias da Santa Missa Rezada, já publicamos o que e como preparar todas as coisas necessárias para a Celebração. Hoje faremos algumas observações e daremos algumas regras gerais a respeito do ministro, ou seja, do coroinha.
Precisamos dizer que as coisas, gestos e cerimônias que descremos aqui são o que há de comum ou fundamental, aquilo que, de certo modo, não pode faltar. Mas alguém que não tenha costume com a Missa Tradicional poderá, lendo nossos textos, não entender muito bem certas explicações, isso é comum. Pois certas coisas, só vendo podem ser realmente entendidas. Portanto, aqueles que nos acompanham nestas exposições e ainda não ajudaram uma Missa, procurem assistir alguma Missa antes.
Como dissemos, o coroinha tem uma grande importância nas sagradas cerimônias. Igualmente tem responsabilidades. Por isso, gostaríamos de fazer as seguintes observações:
1. O coroinha deve aprender a juntar as mãos, a fazer o sinal da cruz corretamente, as inclinações e genuflexões, tudo com exatidão e na hora certa.
2. Quando um clérigo vai servir (acolitar) na Santa Missa, deve estar devidamente revestido de sobrepeliz sobre a batina. Entretanto, um leigo com as vestes ordinárias (mas dignas, decentes e asseadas) pode servir ao altar e fazer todas as funções do clérigo acólito. Mas é preferível que o leigo esteja revestido de sobrepeliz sobre a batina. Todos os que estão vestidos com a batina, mesmo os religiosos devem revestir a sobrepeliz para servir na Santa Missa.
3. Seja clérigo ou simples leigo, o coroinha deve usar sapatos limpos[1] e as mãos bem lavadas e sem luvas. Traz a cabeça sempre descoberta: o uso do solidéu é proibido aos ministros do altar.
4. Fora da Missa, quando o Santíssimo Sacramento está no sacrário, ele faz genuflexão todas as vezes que entrar ou sair do presbitério e todas as vezes que passar diante do meio do altar.
5. E faz o mesmo dentro da Missa, mesmo que o Santíssimo não esteja no altar!
6. Quando for fazer alguma saudação, o coroinha primeiro para, volta-se para a pessoa ou objeto que deve saudar e faz a devida saudação.
7. Durante a Missa ele se coloca sempre do lado oposto ao missal, salvo os casos excetuados adiante, e fica de joelhos sobre o degrau mais baixo do altar, se forem vários, ou in plano[2], se houver um só.
8. Para entregar o barrete ao padre, primeiro oscula o barrete depois a mão do padre; para receber, primeiro oscula a mão do padre, depois o barrete.
9. O coroinha faz as mesmas inclinações e os mesmos sinais da cruz quando o Celebrante reza em voz alta para ele.
10. Quando não está exercendo alguma função permanece com as mãos postas (juntas diante do peito); quando usa somente uma das mãos para exercer uma função, pousa a outra estendida sobre o peito; quando deve executar uma ação somente com uma mão, usa a mão direita.
11. Para tocar a sineta ordinariamente deve fazer pausadamente, de preferência por toques distintos e não de maneira contínua.
12. Deve responder distintamente e sem precipitação, articulando bem as palavras, tendo o cuidado de só responder quando o padre terminar de falar, e usando o mesmo tom de voz do Celelebrante.
13. Se as velas se acabarem ou se apagarem, o coroinha deve remediar o quanto antes. O coroinha deve se ater modestamente e não se distrair ou se voltar para ver o que acontece ao redor.
14. Ao transportar o livro, deve evitar colocar as mãos sobre as folhas. Por causa da escuridão o padre pode usar uma vela para clarear o missal, nesse caso é o coroinha que transporta a vela de um lado para o outro, se for necessário.
15. Durante a Missa, o coroinha não faz vênia ou reverência quando está de joelhos, salvo se for indicado o contrário.
16. Durante a Missa o coroinha sempre faz genuflexão ao passar diante do meio do altar, desde a chegada até a saída, inclusive quando não há Santíssimo no Sacrário no sacrário.
17. Na sacristia, quando o Celebrante começa a paramentar-se o coroinha deve colocar-se à sua direita e oferecer-lhe sucessivamente: o cíngulo (que é entregue pelas costas do Celebrante), o manípulo, a estola e a casula.
18. Antes de sair da sacristia faz reverência à cruz juntamente com o Celebrante e, ao entrar na capela, lhe oferece água benta e se persigna.       
19. Ao ir da sacristia para o altar e ao voltar depois da Missa, o coroinha sempre caminha diante do Cel e no meio, não de lado (exceto se forem dois).
20. REGRA GERAL: O coroinha nunca se afasta ou sai de detrás do Celebrante quando a leitura é somente em latim, e nunca no último Evangelho. 
21. Atenção: liturgicamente falando, numa Missa Privada não pode haver mais de um coroinha (como distinção de quem celebra). Quando um coroinha vai ajudar a Missa Privada, nas orações limita-se a responder as orações e convites do Celebrante. Por isso, o coroinha não rezará com o Celebrante o Gloria, Sanctus e Agnus Dei (só responde Miserere nobis), nem o Pater (só responde Sed libera...). E não importa a classe da Missa, na Missa privada só é permitido acender duas velas.




[1] Que fique claro que deve ser sapatos e nunca tênis e similares. Não importa se são novos ou velhos, mas sim que estejam limpos e com boa aparência. Devem ser pretos!
[2] Ou seja, diretamente sobre o “chão” ou piso.

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