quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Princípios e Regras Gerais da Liturgia

Por Blasius Ludovicus



I. AS REVERÊNCIAS IN GENERE[1]

Noções gerais
1. A palavra reverência se aplica a toda espécie de saudação. Quando os livros litúrgicos prescrevem a reverência conveniente ou a devida reverência, deve-se entender por uma das que serão explicadas a seguir.
1. Faz-se a reverência ao altar do Santíssimo Sacramento, entrando na igreja e ao sair, não importando onde se encontre, mas se prevê que seja em direção do altar.

2. Faz-se a reverência ao altar do coro:
a) assim que se entra no coro e se sai dele;
b) logo que se chega diante do meio do altar e antes de partir;
c) logo que se passa ao meio, diante ou atrás do altar.

3. Não se vai ao meio do altar somente para fazer a reverência conveniente, a menos que o contrário seja indicado.

4. Faz-se ainda reverência ao altar se está ao meio do altar e se, ao chegar ou ao deixar, se faz parte de um grupo onde o mais digno está no meio.

5. Todos aqueles de um grupo, chegando ou partindo juntos, fazem juntos a reverência conveniente. Um ministro, chegando ou se afastando sozinho, faz a reverência conveniente no próprio lugar onde ele se encontra.

6. Os ministros que assistem o padre, chegando ou deixando o altar, saúdam-no ao lado do padre, e passam então, diante do meio do altar sem nova reverência.

Diversas espécies de reverências
7. Existem duas espécies de reverências: a genuflexão e a inclinação.

8. A genuflexão e feita de duas maneiras: com os dois joelhos (genuflexão dupla) e com um só joelho (genuflexão simples).[2]

9. A inclinação pode ser profunda, medíocre ou pequena (vênia).

II. DA GENUFLEXÃO[3]

2. Sobre a genuflexão dupla (com os dois joelhos) e a genuflexão simples (com um só joelho)
1. Faz-se a genuflexão dupla, colocando os dois joelhos no chão, fazendo-se ao mesmo tempo uma inclinação medíocre de corpo.
2. A genuflexão com os dois joelhos se faz:
a) diante do Santíssimo Sacramento exposto;
b) diante do sacrário aberto (com o Santíssimo);
c) diante de um altar onde se distribui a comunhão;
d) e diante do Santíssimo Sacramento no local da reposição da quinta e sexta feira santa.

3. Faz-se a genuflexão com os dois joelhos somente chegando ao altar (ou ao coro) ou saindo,[4]mas se for necessário entrar e sair várias vezes em pouco espaço de tempo, faz-se somente genuflexão com um joelho (simples).

4. Faz-se a genuflexão simples, flexionando o joelho direito até tocar o chão, sem inclinação de cabeça ou corpo: o joelho direito deve tocar o chão próximo ao calcanhar esquerdo, a menos que se faça a genuflexão sobre um degrau.
a) Os que não estão revestidos dos paramentos sagrados fazem a genuflexão in plano em todas as circunstâncias. Os que estão revestidos dos paramentos, e se encontram ao altar, fazem a genuflexão sobre o degrau, salvo ao chegar e ao partir.
b) Somente o Cel pode colocar as mãos sobre o altar ao fazer a genuflexão.
c) Todas as vezes que se faz a genuflexão, é necessário tirar o solidéu ou o barrete, se o estiver usando.
d) Não se faz a genuflexão andando; ao chegar onde se deve fazê-la, primeiro pára, depois flexiona o joelho e só depois se levanta, e não continua andando até que se tenha levantado completamente.

5. A genuflexão com um só joelho se faz:
a) diante do Santíssimo dentro do sacrário fechado;
b) diante do Santíssimo Sacramento Exposto ou descoberto, todas as vezes que não se puder fazer a genuflexão dupla, como foi dito acima (n. 2,3);
c) diante de uma relíquia da verdadeira Cruz exposta;[5]
d) diante da cruz do altar na sexta feira santa, após ser descoberta, até o sábado santo até a Hora Nona, inclusive;
e) diante da cruz do altar, quando se está de hábito coral (ou seja, durante as cerimônias);
f) enfim, diante dos prelados com hábito coral, a saber: o bispo, na sua diocese ou Administração Apostólica; o metropolita, na sua província; o Legado, no lugar de sua legação; um cardeal, em todo o mundo.

6. Para se ajoelhar diante do altar ou do trono, deve-se ajoelhar sobre o degrau, e se faz antes a genuflexão até o chão; se fará também depois de se ter levantado, deixando o altar, o trono, ou o genuflexório. Mas se for ajoelhar-se in plano no mesmo lugar onde se fará a genuflexão, não há regra geral, nenhuma genuflexão a fazer, antes de se colocar de joelhos, e depois de se ter levantando. Nem por isso, em grupo, os que se ajoelham in plano fazem a genuflexão, com aquele que se põe de joelhos sobre um degrau.

III. A INCLINAÇÃO[6]

Diversos tipos de inclinação
3. Existem diversos tipos de inclinação: profunda, medíocre, pequena (vênia). As rubricas dizem, com efeito, tanto profunde se inclinat, profundum facit reverentim; como inclinatus, aliquantulum inclinatus; e ainda caput inclinat.
1. A inclinação profunda consiste em inclinar o busto, de modo que as mãos estendidas possam tocar os joelhos.
2. A inclinação medíocre, é uma inclinação profunda da cabeça com uma leve inclinação do corpo.
3. A inclinação pequena ou vênia, é a inclinação somente de cabeça.
A vênia subdivide-se em: minimarum maxima (máxima), minimararum media (medíocre)e minimarum mínima (mínima).
a) a vênia máxima é uma inclinação profunda da cabeça, acompanhada de uma ligeira inclinação dos ombros;
b) a vênia medíocre é uma inclinação notável somente da cabeça;
c) a vênia mínima é uma ligeira inclinação da cabeça.

Quando se faz cada inclinação?
4. Faz-se a inclinação profunda:
a) para a cruz quando ela não deve ser saudada com a genuflexão, a não ser que seja indicado o contrário;
b) diante de um prelado insigne quando não puder saudá-lo com a genuflexão;
c) pode-se saudar o Cel ou o Of em certos casos, por exemplo, quando se incensa o mesmo.

5. Faz-se a inclinação medíocre para saudar as pessoas de dignidade superior.

6. A vênia se faz para saudar as pessoas de menor ou igual dignidade, mas mais particularmente a certas palavras ou a certos nomes, a saber:
a) a inclinação profunda da cabeça: à palavra Deo e Deum, no começo do Gloria e do Credo; ao nomear a Santíssima Trindade; às Pessoas Divinas quando forem nomeadas juntamente pelos nomes próprios e seguindo a ordem habitual (Pater, Filius, Spiritus Sanctus) como no Gloria Patri e em certas doxologias; ao Nome de Jesus; à palavra Oremus; a certas palavras que exprimam adoração como no Gloria e Credo: adoramus te, gratias agimus tibi, simul adoratur etc.
b) a inclinação média, ao Nome de Maria.
c) a vênia ao nome do Santo em honra de quem se celebra a festa, vigília ou comemoração; sempre ao Nome do Sumo Pontífice, o Papa; ao nome do B diocesano, quando este é proferido em voz alta (quando está presente).
A inclinação ao nome de um Santo, exceto ao de Maria, não se faz a não ser no dia de sua festa, e nunca na Missa dos mortos.
Não se faz a inclinação ao Nome de Maria ou de um Santo, se se designar as pessoas em sentido acomodatício. Por isso, não se deve inclinar à palavra Maria na antífona da comunhão da Assunção, nem à palavra Iesu na terceira antífona das Vésperas do Santo Nome de Jesus, nem à palavra Josefh na Epístola da solenidade de São José. 

Maneira de se inclinar
7. Ao Santo Nome de Jesus, à palavra Oremus, ao Gloria Patri, e todas as vezes que se deve inclinar ao dirigir-se a Deus, se inclina em direção à cruz no Oficio Divino. Na Missa, o Cel se inclina simplesmente para frente, em direção ao missal, exceto quando se está no meio diante do sacrário (como desde o Prefácio).

8. Se forem pronunciadas muitas palavras seguidamente para as quais se devem inclinar, inclina-se na primeira e permanece inclinado até a última, inclusive.

9. Quando se está inclinado durante uma oração, não se deve fazer outra inclinação mais profunda a uma palavra para a qual a inclinação profunda é prescrita.

10. Não se deve inclinar quando se faz ao mesmo tempo outro gesto incompatível com a inclinação, por exemplo, aos Nomes das Três Pessoas da Santíssima Trindade fazendo a cruz sobre si ou sobre os outros.

IV. OS ÓSCULOS[7]

4. Sobre quando e como oscular, observa-se o seguinte:
1. Um ministro entregando um objeto ao Cel, oscula antes o objeto, depois a mão do Cel. Recebendo um objeto do Cel, oscula antes a mão do Cel e depois o objeto. É necessário excetuar desta regra as velas bentas e os ramos bentos, que são osculados antes de oscular a mão do Cel.

2. Na presença do Santíssimo Sacramento Exposto devem ser omitidos todos os ósculos.

3. Na presença do B assistindo pontificalmente no trono, se omite, ao olhar do Cel, os ósculos do barrete e do turíbulo.

4. Na Missa dos mortos e nas funções fúnebres, se suprime todos os ósculos.



[1]  Stercky, t. I, nn. 123-124.
[2] A palavra genuflexão, nas rubricas, significa tanto fazer a genuflexão, como se colocar de joelhos. A obrigação de saudar o Santíssimo Sacramento pela genuflexão concerne a todos os fiéis, tanto mulheres como homens (Cf. SCR, n. 3402 ad 2).
[3] Stercky I, nn. 125-126.
[4] A genuflexão dupla se faz somente ao chegar e deixar. Ora, é à chegada e à partida, não somente no começo e fim da cerimônia, mas todas as vezes que se sobe ao altar depois de se ter afastado por um tempo notável, ou que se deixa para retornar depois de um longo tempo.
[5] Como honramos as outras relíquias da Paixão e Morte do Senhor da mesma maneira que a verdadeira Cruz, as saudamos também com uma genuflexão quando estão expostas.
[6] Stercky t. I, nn. 127-129.
[7] Stercky t. I, n. 130.

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