terça-feira, 8 de dezembro de 2015

As sagradas Ordenações na Igreja


Natureza e origem do sacramento da Ordem
A Igreja, fundada por Jesus Cristo, é uma sociedade perfeita, sempre viva e fecunda, que se recruta e se perpetua ela mesma. Essencialmente una e hierárquica, compõe-se de clérigos e leigos, de superiores e inferiores, governados pelos Bispos, eles mesmos submissos à autoridade do Romano Bispo.
Os clérigos formam sua hierarquia, seu recrutamento, não pela escolha do povo ou da autoridade civil, mas pelo chamado regular dos superiores eclesiásticos, únicos juízes em última competência para assuntos de virtudes, qualidades ou atitudes que supõe necessariamente a vocação divina ao sacerdócio.
O sacramento da Ordem eleva os cristãos que o recebem acima de simples fiéis, lhes conferindo certo poder na Igreja.
O poder da Ordem, recebido no sacramento, é irrevogável e indelével. Tem por objeto o adorável Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia e se estende a todos aqueles que podem ter alguma relação com ela.
Com efeito, Jesus Cristo, por causa de sua dupla natureza divina e humana, é de pleno direito Mediador entre Deus e os homens. Por sua vez Sacerdote e Vítima, Ele se imola voluntariamente na Eucaristia, como Ele se oferece em holocausto perfeito de obediência, de adoração e de expiação sobre a Cruz. Este sacrifício da nova aliança, Ele o perpetua comunicando o seu próprio Sacerdócio a seus Apóstolos por estas palavras: Fazei isto em memória de mim (Lc 22, 19).

Os graus do sacramento da Ordem
Esta preciosa herança do Sacerdócio de Cristo, a Igreja a guarda ciumentamente e a perpetua em seu redor a transmitindo na ordenação de clérigos e na sagração dos Bispos.
É certo que o Episcopado, o Presbiterato e o Diaconato são instituições divinas, como testemunham os Evangelhos, os Atos e as Epístolas dos Apóstolos.
Assim, fica o sacramento da Ordem dividido nestes graus: o Diaconato (1º grau, é o mais limitado); o Presbiterato (2º grau), pelo qual se exerce o sacerdócio pleno de Jesus (em contraposição ao Diaconato que tem várias limitações como o não poder celebrar Missa); e o Episcopado (3º grau) que é a plenitude do sacramento da Ordem.

Os degraus para o sacramento da Ordem na Forma Extraordinária do Rito Romano
Conforme Pontificale Romanum, antes das ordenações sagradas a Igreja vai dando aos candidatos ao sacerdócio funções próprias do estado clerical, herdadas desde longa data pela Igreja.
Assim podemos enumerar os seguintes degraus ou passos rumo ao sacerdócio, na Forma Extraordinária:
1º degrau - O rapaz é admitido ao Seminário, depois de certo tempo recebe o hábito clerical, a batina (na Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney a recepção de batina se dá no 2º ano de filosofia);
2º degrau - A recepção da Primeira Tonsura Clerical, cerimônia na qual o senhor Bispo corta o cabelo do candidato em forma de cruz, separando-o assim do mundo e reservando-o ao serviço de Deus (na Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney normalmente se dá no primeiro ano de teologia);
3º degrau – Começam as Ordens Menores, das quais a primeira é o Ostiariato, ou seja, é uma espécie de porteiro, pela qual o candidato fica incumbido de toca o sino para chamar os fiéis, deve evitar que um excomungado entre no templo sagrado, que os indignos se aproximem da mesa de comunhão e guardar com cuidado a chave da igreja e tudo o que se guarda sob ela;
4º degrau – A Ordem Menor do Leitorado, pela qual o candidato recebe o poder de ler as leituras na Santa Missa, ler ou apresentar o livro ao pregador, dar catecismos e instruir o povo, e abençoar os frutos novos e os demais alimentos. O Ostiariato e Leitorado costumam ser dados juntos, mais ou menos no 2º ano de teologia;
5º degrau – A Ordem Menor do Exorcistato, pelo qual o candidato recebe o poder de expulsar os demônios, mas tal poder só poder ser exercido depois da ordenação sacerdotal e com permissão do senhor Bispo;
6º degrau – A Ordem Menor do Acolitato, pela qual o candidato recebe bênção especial para ajudar na Santa Missa e se aproximar do altar. Esta é a ordenação menor mais solene, pois todas são realmente muito simples, e é a que mais tem bênçãos sobre o ordenando. O Exorcistato e o Acolitato costumam ser dados juntos mais ou menos no terceiro ano de teologia;
7º degrau – finalmente chegamos à primeira Ordem Maior do Subdiaconato que, embora não seja parte mesma do sacramento da Ordem, é a Ordem pela qual os ordenados são tidos La Liturgia como ministros sagrados. Normalmente se dá a Ordenação de Subdiácono no fim do 3º ou início do 4º ano de teologia.

Curiosidade:
Antigamente, se pensava que a recepção das quatro Ordens menores e das três Ordens Sacras conferia um único sacramento, que elas fossem como diversos graus do sacramento da Ordem (Can 948, 949). Ou seja, todas as Ordens Menores eram já o sacramento da Ordem que ia sendo dado em graus.  
Quanto ao Subdiaconato e às quatro Ordens menores, é a Igreja que as instituiu segundo suas necessidades; mas desde meados do terceiro século, encontram-se estabelecidas na Igreja Romana. E, conforme o Código anterior (Can 108, §3), era considerado geralmente como parte integrante do Diaconato.

A quem se pode dá as sagradas Ordens?
A Tonsura e as diversas Ordens apenas se conferem àqueles sujeitos que tem a firme intenção de serem sacerdotes, e que se julga aptos a cumprir as funções do ministério.

Quem pode dá as sagradas Ordens?
Os Bispos, tendo a plenitude do Sacerdócio, são os únicos ministros ordinários do Sacramento da Ordem. – o Direito Canônico anterior permitia todavia aos Cardeais, aos Prelados nullius, aos Abades regulares conferir a Tonsura e as Ordens menores, observando as condições prescritas (Can 951, 957, 964).

Condições requeridas para receber as Ordens
1º - Para ser ordenado validamente, é necessário ser do sexo masculino e batizado;
2º - para ser licitamente, é necessário ser confirmado. Por este motivo, antes da ordenação o Arcediago pergunta se há ordenandos ainda não confirmados, neste caso o Bispo lhes administrará primeiramente a Confirmação.
3º - A conduta dos candidatos deve dar toda satisfação e plena confiança para que no futuro sejam chamados pelos superiores às Ordens. É por este motivo que a Igreja deseja vivamente que os aspirantes ao Sacerdócio sejam estudantes desde sua juventude nos Seminários, e lhes faça ao menos a obrigação de aí habitar durante o estudo de teologia.
4º - A idade requerida para as Ordens Sacras é de 21 anos completos para o Subdiaconato, 22 anos completos para o Diaconato e 24 anos completos para o Presbiterado. (A Santa Sé concede para o presbiterado a dispensa de um ano ou mesmo de 18 meses, a pedido dos Bispos).
5º - O ordenando deve ter a ciência adquirida, isto é, ter passado com fruto pelos estudos primários, secundários, filosóficos e teológicos. Os estudantes de teologia só podem receber a tonsura e as ordens: a Tonsura no início do primeiro ano, o Subdiaconato no fim do terceiro, o Diaconato no início e o Presbiterado no meio do quarto ano de teologia. O exame canônico antes da ordenação tem por objetivo constatar que o sujeito possui a ciência requerida.
6º - A recepção das Ordens Menores. É estritamente proibido omitir qualquer uma, é necessário receber todas sucessivamente.
7º - Observações de interstício: Um ano entre as Ordens menores e o subdiaconato, três meses entre cada ordem sagrada. O Bispo pode dispensar dos interstícios, se ele o julga a propósito.
8º - A publicação das proclamas daqueles que vão receber as Ordens maiores é uma sábia precaução para se assegurar que não existe qualquer impedimento canônico opondo-se ao seu apelo.
9º - Um retiro de três dias para a tonsura e as ordens menores, de seis dias para as ordens sagradas é exigido aos ordenandos. Entretanto se estes recebem em seis meses várias ordens sagradas, o Bispo pode reduzir para três dias o retiro para o Diaconato.
10º - O Direito Canônico afasta das ordenações todos aqueles que uma enfermidade (ou deformidade) torna-os inaptos ao serviço do altar, - todos os indignos etc.
11º - Enfim, observarão atentamente que é proibido forçar seja quem for a receber as Ordens, também não é permitido recusar o acesso àqueles que canonicamente teriam as aptidões e qualidades requeridas para ingressar.


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