quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Dez elementos de renovação na Liturgia

Trazemos hoje mais uma tradução, agora dum texto publicado em Adelante la Fe (24/02/2016), no qual encontramos dez pontos para uma verdadeira renovação da Igreja e de sua Liturgia!

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 Por Mons. Athanasius Schneider

E por que falo do mundo vindouro? A partir daqui este mistério faz a terra converter-se no Céu. Abre uma única vez as portas do Céu e olha dentro; não, não do céu, mas do Céu dos céus; e então poderás olhar sobre o que estou falando. Porque este é o mais precioso de tudo quanto existe, isto poderá mostrar-te a mentira que jaz sobre a terra. Pois o mais glorioso que há nos palácios reais não são as paredes, nem os tetos de ouro, mas a pessoa do rei sentada no trono; assim igualmente no Céu o Corpo do Rei. Porém, eis aqui a oportunidade de olhar isto sobre a terra. Não te mostro, pois, os Anjos, nem ao Céu dos céus, mas te mostro o verdadeiro Senhor e Dono de tudo isto. 
São João Crisóstomo,
Homilia sobre a 1ª carta aos Coríntios
citada em Dominus Est por Mons. Athanasius Schneider, p. 34.


No dia 14 de fevereiro de 2015 o bispo de Astana, Kazajistán, Mons. Athanasius Schneider foi convidado pelo Instituto Paulino para uma conferência em Washington, DC. Durante a conferência ele propôs ações concretas – dez elementos essenciais – que devem ser implementados para acompanhar a renovação litúrgica.
Como participante me impressionei novamente pela preocupação de sua excelência pela reverência e piedade no culto católico. Gostaria de oferecer-vos meu próprio resumo sobre os principais temas por causa de suas ideias profundas.
Este bispo disse que sempre, mesmo desde os tempos apostólicos, a Igreja buscou ter uma Liturgia santa, e isso somente se conseguiu mediante a ação do Espírito Santo o único com o qual se pode adorar verdadeiramente a Cristo. Os gestos externos de adoração que expressam a reverência interna são vitais dentro do contexto da Liturgia. Assim como as reverências, genuflexões, prostrações e coisas deste tipo. Sua excelência citou os escritos de São João Crisóstomo sobre a Liturgia, destacando particularmente nele o seguinte tema: A Liturgia da Igreja é uma participação na Liturgia celeste e deve estar altamente configurada com a Liturgia celeste dos Anjos.
A nação da Liturgia celestial, e a nossa participação no Santo Sacrifício da Missa, oferece alguma perspectiva para alguns de nós que em ocasiões nos tentados a tomar por assumido o inacreditável milagre em nosso meio. A realidade é que cada igreja católica é, em si mesma, uma lugar onde moram os Anjos, os Arcanjos, o Reino de Deus, Ele mesmo o Deus celestial. Se fossemos capazes de algum modo sermos transportados à Liturgia celestial, não ousaríamos falar nem mesmo com as pessoas que conhecemos e amamos. Quando estamos dentro de uma igreja, devemos, portanto, falar reservadamente, e somente sobre as coisas sagradas.
Na igreja primitiva, o altar e as outras coisas sagradas estavam veladas por fora por respeito aos mistérios sagrados em que julgavam ROL cada um. Nunca houve, ao contrário do que as pessoas acreditam hoje em dia, uma celebração versus populum da Missa, ou uma extendida prática de receber a comunhão na mão. Na Liturgia da Missa o sacerdote e o povo olhavam juntos para Deus.
Quando celebramos a Liturgia, é o próprio Deus quem devem estar no centro. O Deus encarnado. Cristo. Ninguém mais. Nem mesmo o sacerdote que atua em Seu lugar.
A Liturgia se empobrece quando reduzimos os gestos de adoração. Qualquer renovação litúrgica deve restaurar isto e trazer um caráter mais Cristocêntrico e transcendental para a Liturgia terrena, a qual é uma recordação da Liturgia angelical.

Dez elementos de Renovação
Mons. Schneider ofereceu estes dez pontos para implementar, o que ele considera fundamental para a renovação litúrgica:
1. O sacrário, donde Jesus Cristo, o Deus encarnado, está realmente presente sob as espécies de Pão deve ser colocado no centro do santuário [do presbitério], porque não há outro lugar na face da terra onde Deus, o Emanuel, esteja tão verdadeiramente presente e próximo ao homem como no sacrário. O sacrário é o sinal que indica que aí se contem a Presença Real de Cristo, é por isso que deve estar próximo ao altar e constituir com ele o sinal central do mistério eucarístico. O Sacramento do tabernáculo e o Sacrifício do altar não devem, pois, estar opostos ou separados, mas os dois no lugar central e muito perto dentro do santuário. Toda a atenção daqueles que entram na igreja deve dirigir-se espontaneamente para o sacrário e o altar.
2. Durante a Liturgia eucarística – pelo menos durante a oração eucarística – quando Cristo o Cordeiro de Deus é imolado, o rosto do sacerdote não deve ser visto pelos fiéis. Até os Serafins cobrem seus rostos (Is 6,2) quando adoram a Deus. Assim, pois, o rosto do sacerdote deve voltar-se para a cruz, a imagem de Deus crucificado.
3. Durante a Liturgia, deve haver mais sinais de adoração – especialmente genuflexões – especialmente cada vez que o sacerdote toque a Hóstia consagrada.
4. Os fiéis que se aproximam para receber ao Cordeiro de Deus na santa comunhão devem saúda-lO e recebê-lO com um ato de adoração, ajoelhando-se. Que momento há na vida do fiel mais sagrado que quando se encontra com seu Senhor?        
5. Deve haver mais espaço para o silêncio durante a Liturgia,especialmente durante aqueles momentos em que se expressa de modo mais completo o mistério da redenção. Especialmente quando o Sacrifício da Cruz se faz presente durante a oração eucarística.
6. Deve haver mais sinais externos que expressem a dependência do sacerdote com Cristo, o Sumo Sacerdote, que sejam mais claras as palavras que o sacerdote disse (e.g. “Dominus vobiscum”) e as bênçãos que dá sobre os fiéis dependem e brotam de Cristo Sumo Sacerdote, não dele, de sua pessoa privada. Não diga este tipo de coisas “eu te saludo” ou “eu te bendigo” ou “eu o Senhor”. Estes sinais podem ser (como o foram durante séculos) o ósculo do altar antes de saudar aos fiéis indicando que esse amor flui não do sacerdote, mas do altar; e também antes de abençoar oscula o altar, e depois abençoa ao povo. (Isto foi praticado por mil anos e desafortunadamente o novo rito o aboliu) Também o inclinar-se diante da cruz indicando desta maneira que Cristo é mais importante que o sacerdote. Frequentemente na Liturgia – no Rito Antigo – quando o sacerdote dizia o nome de Jesus tinha que voltar-se para a cruz e fazer uma reverência para mostrar que a atenção deve estar posta em Cristo, não nele.
7. Deve haver sinais que demonstrem o insondável mistério da redenção. Isto se pode conseguir mediante o velar os objetos litúrgicos, porque o velar é um ato da Liturgia dos Anjos. Velar o cálice, velar a patena com o véu umeral, velar o corporal, velar as mãos do bispo quando celebra solenemente. O usar a patena de comunhão, e velar também o altar. também o benzer-se, o sacerdote e os fiéis. Fazer o sinal da cruz com o sacerdote durante a oração eucarística e durante os outros momentos da Liturgia; o fazer o sinal da cruz é um sinal de bênção. Na antiga Liturgia os fiéis se benziam durante o Glória, o Credo e o Sanctus. Estas são expressões do mistério.
8. Deve haver também um sinal que expresse constantemente o mistério mediante a linguagem humana, o latim é a língua sagrada confirmada pelo Concílio Vaticano II para a celebração de todas as Missas e a parte da oração eucarística deve ser dita sempre em latim.
9. Todos aqueles que exercem um papel ativo durante a Liturgia, como os leitores, ou aqueles que dizem a oração dos fiéis devem estar sempre vestidos com vestimentas litúrgicas; e unicamente homens, não mulheres, porque é um exercício no santuário muito próximo ao sacerdócio. Também o ler o lecionário deve ser em direção para a Liturgia onde estamos celebrando a Cristo. Por conseguinte, somente homens vestidos liturgicamente deveriam estar no santuário.
10. A música e as canções durante a Liturgia devem refletir mais verdadeiramente o caráter sagrado e devem recordar a canção dos Anjos, como no Sanctus, para que sejam mais capazes de cantar a uma só voz com os Anjos. Não somente o Sanctus, mas também toda a Missa. Será necessário que o coração, mente e voz se dirijam ao Senhor. E isto será melhor manifestado por sinais e gestos exteriores.

Aqui devemos refletir muito. Ao menos parece-me que cada um desses dez pontos é indispensável em nossa busca do verdadeiro culto reverente em nossas igrejas. Nenhum desses pontos é incompatível com a Liturgia antiga da Igreja ou, talvez o mais importante, com a Liturgia prevista pelos Padres Conciliares na Sacrosanctum Concilium.
Seria uma tremenda bênção se mais bispos tomassem estes dez pontos como guia essencial nas celebrações litúrgicas em suas dioceses. Convido-te a que envies ao teu bispo para que o considere.
Tive também a oportunidade de conhecer brevemente ao senhor bispo ao final da conferência. Quando o agradeci por sua liderança em um tempo em que parece que nossos pastores não falam claramente segundo os ensinamentos da Igreja, me disse “são vocês que devem fazer isso. Vocês, os fiéis, suas famílias. Devem ser santos. Devem ensinar a fé às crianças. Devem inspirar aos sacerdotes”. A respeito do tema das vocações, disse que devemos oferecer nossos filhos a Deus se desejamos que recebam um chamado de Sua parte.parece que com este aviso – unido com as sugestões concretas que já ofereceu em seu artigo publicado no começo deste ano – nos chama, a nós leigos, para começar uma revolução de santidade se é que queremos reformar a Igreja.
Parece que já começamos! 

  

Fonte: Adelante la Fe

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