terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Príncipe dos liturgistas romanos!


 O insigne servo de Deus José Maria Tomasi, cardeal, a quem o Papa Pio VII decorou com as honras dos Beatos em 1803, e a quem São João Paulo II inscreveu solenemente no livro dos Santos, nasceu em Licata, Sicília, diocese de Agrigento, no dia 12 de setembro de 1649, filho primogênito de Júlio Tomasi e Rosalia Traina, Príncipes de Lampedusa e Duques de Palma de Montechiaro.
Sua vida foi orientada para Deus já desde os seus primeiros anos. Formado e educado na nobre casa paterna, onde não faltava nem riquezas nem virtudes, deu provas de um espírito disposto para o estudo e a piedade. Assim, pois, seus pais cuidaram com esmero de sua formação cristã e instrução nas línguas clássicas e modernas, especialmente na língua espanhola, por estar destinado pela família para a corte de Madrid, devendo herdar de seu pai, por seus títulos de nobre, a dignidade de Grande da Espanha.
Entretanto, desde a infância, seu espírito aspirava a ser pequeno no reino de Deus, e a servir não os reis da terra, mas o Rei do Céu. Ele cultivou em seu coração esse piedoso desejo até que ganhou o consentimento paterno para seguir a sua vocação para a vida religiosa.
Depois de haver renunciado, mediante documento notarial, ao principado que lhe cabia por herança, e ao riquíssimo patrimônio familiar, entrou na Ordem dos Clérigos  Regulares Teatinos, fundada por S. São Caetano de Thiene em 1524. Fez a profissão religiosa na casa teatina de São José de Palermo em 25 de março de 1666.
No novo estado de vida, que abraçou para seguir o chamado de Cristo, pode dedicar-se melhor à piedade e ao estudo. A sagrada liturgia o havia atraído desde menino, e desde então queria usar as cores litúrgicas do dia. O canto gregoriano floresceu muito cedo em seus lábios, que exultavam de alegria ao cantar os salmos litúrgicos. Desde sua adolescência conheceu e apreciou, por disposição inata, as línguas sagradas latina e grega.
Cursou os estudos filosóficos em Mesina, Ferrara, Bolonha e Modena; obrigado a essas mudanças por razões de saúde. Estudou teologia em Roma, na casa de S. Andrea della Valle.
Em Roma, depois de ter recebido o subdiaconato e diaconato, foi ordenado sacerdote na Basílica Lateranense por Mons. Giacomo de Angelis, arcebispo de Urbino, vice-diretor do Cardeal Vigário Gaspar Carpegna, no dia 23 de dezembro de 1673, sábado das têmporas do advento. Dois dias depois, na noite da Natividade, celebrou sua primeira Missa na igreja de São Silvestre do Quirinal, a então sede da Casa Geral dos Padres Teatinos.
A unção sacerdotal parecia que incardinava definitivamente ao  Padre Tomasi em Roma e que lhe dava cidadania romana. Aqui, na casa de São Silvestre do Quirinal, durante quase quarenta anos a partir de sua ordenação sacerdotal, se dedicará com fecunda intensidade à piedade, ao exercício humilde e perseverante das virtudes e ao estudo assíduo. Ao conhecimento do latim e grego, que adquiriu durante a adolescência, acrescentou agora o das línguas hebraica, siríaca, caldeia e árabe.
Transportado por seu exímio amor aos documentos antigos da Igreja e às sãs tradições eclesiásticas, decidiu que o dedicar-se, com espírito de fé, à publicação de livros litúrgicos raros e antigos textos da sagrada liturgia, podia ser um bom caminho para a sua perfeição religiosa.
Dessa forma conseguiu trazer à luz muitos tesouros sagrados que jaziam esquecidos nas bibliotecas.
Na verdade, graças à sua múltipla ciência das coisas sagradas, editou muitos volumes de argumentos bíblicos, patrísticos e, principalmente, litúrgicos. Destas será suficiente mencionar: Códices Sacramentorum nongentis annis vetustiores (publicado 1680); a edição crítica do Saltério em sua versão dupla, romana e gaulesa: os antiponarios e responsoriais da Igreja de Roma que estavam em uso nos tempos de São Gregório Magno (editados em 1686); a edição crítica de títulos e argumentos da Bíblia Sagrada segundo os códices do século V ao século XI (publicada em 1688).
Por sua vasta erudição e por suas excelentes e bem conhecidas virtudes, o Padre Tomasi gozava de tal fama e estima que eram muitos os que procuraram o seu conhecimento e amizade e se honravam com isso.
A Rainha da Suécia Cristina Alexandra, o quis entre os membros que ornavam o seu círculo de doutos. A Academia Romana da Arcadia o enumerou entre seus sócios mais ilustres. O douto Rabino da Sinagoga de Roma, Moisés Cave, que foi convertido ao catolicismo pelo Pe Tomasi, seu discípulo em hebraico, o considerava um amigo e pai na fé.
No entanto, quanto maiores eram os louvores que lhe tributavam seus contemporâneos, tanto mais procurava permanecer escondido, até o ponto de publicar, por humildade, alguma de suas obras sob um pseudônimo.
O estar em relação com pessoas importantes e eruditas de seu mesmo nível, não impediu Tomasi dedicar sua atenção para a formação dos simples fiéis para os quais compôs: Vera norma di glorificare Iddio e di far Orazione secondo la dottrina delle divine Scriture e dei Santi Padri, e Breve istruzione del modo di assistere fruttuosamente al Santo Sacrificio della Messa, e também uma versão menor de Salmos escolhidos e dispostos para facilitar a oração do cristão.
Ele foi nomeado Consultor Geral da sua Ordem, mas, por humildade, renunciou logo depois tal encargo aduzindo como motivo as muitas outras ocupações pelos encargos que já tinha na Cúria Romana, entre os quais, Consultor das Sagradas Congregações dos Ritos e das Indulgências, e Qualificador do Santo Ofício.
Suas numerosas publicações de argumento litúrgico, nas quais emanava a piedade e a erudição, lhe granjearam o título de “Príncipe dos liturgistas romanos” e de “Doctor liturgicus” com os quais o chamavam alguns de seus contemporâneos.
Na verdade, não poucas normas que, emanadas pela autoridade dos Romanos Pontífices e pelos documentos do Concílio Vaticano II, estão hoje felizmente em uso na Igreja, foram já propostas e desejadas pelo Padre Tomasi. Entre estas cabe recordar: a forma atual da Liturgia das Horas para a oração do Ofício Divino; a distinção e o uso do Missal e do Lecionário na celebração da Eucaristia; várias normas contidas no Pontifícal e no Ritual Romano,
o uso da língua vulgar que ele mesmo recomendava nas devoções privadas e nas orações feitas em comum pelos fiéis; tudo encaminhava para promover uma participação mais íntima e pessoal do povo de Deus na celebração da sagrada liturgia.
Todas as suas fadigas e premuras na investigação e no estudo, não desviaram minimamente ao Padre Tomasi de tender, constantemente e com todas suas forças, para a conquista daquela perfeição evangélica à qual Deus o havia chamado desde a infância. Era de exemplo para os outros por sua profunda humildade, o seu espírito de mortificação e sacrifício, sua fiel observância regular, sua mansidão, sua pobreza, sua piedade, sua filial devoção à Santíssima Virgem Maria. Ajudava aos pobres, confortava aos doentes, tanto em casa como no hospital de São João de Latrão.  Deste modo se uniam harmoniosamente nele a sabedoria e a caridade.
Clemente XI, que conhecia pessoalmente ao Padre Tomasi e admirava suas eximias virtudes e a difundida fama de sua doutrina, o nomeado Cardeal do título dos Santos Silvestre e Martin na Monti, no consistório de 18 de maio de 1712. Aceitou o cardinalato somente em obediência à ordem explícita do Papa.
Colocado nesse grau sublime, como a lâmpada no candelabro, iluminou com o esplendor de suas virtudes a Igreja Romana de tal forma que muitos o veneravam como novo São Carlos Borromeu, ao que se tinha havido proposto imitar.
Uniu à dignidade cardinalícia todas aquelas virtudes que o havia distinguido como religioso teatino; não mudou em nada sua precedente regra de vida. Para sua corte e para o serviço de sua casa escolheu, por motivos de caridade, pessoas pobres, fracas, mancas e com outras deficiências físicas.
Em sua Igreja titular dos Santos Silvestre e Martin na Monti, não só participava, com os clérigos de sua família, às celebrações litúrgicas dos padres carmelitas, mas também se dedicada a ensinar as crianças e outros fiéis o Catecismo da doutrina cristã.
Mas tamanho resplendor de bom exemplo e de virtudes brilhou por pouco tempo. Antes dos oito meses de seu cardinalato, quando, depois de ter tomado parte na Capela Papal da Vigília da Natividade na Basílica Vaticana, atacado por pneumonia violenta, expirava santamente em sua residência do Palácio Passarini da via Panisperna. Era o dia 01 de janeiro de 1713.
O primeiro panegírico do Cardeal Tomasi o pronunciou o próprio Papa Clemente XI no consistório realizada um mês após a sua morte. “Não podemos disfarçar – disse o Papa – a dor interna que nos produziu a morte do exímio e piedosíssimo Cardeal Tomasi... Autêntico exemplar da mais santa e antiga disciplina, e de cujas virtudes e doutrina tanto nos esperávamos todavia”.
A fama de santidade que durante a vida acompanhou ao Cardinal Tomasi, cresceu ainda mais depois de sua morte. Por isso, depois de apenas cinco meses de sua santa morte, foi iniciado, por vontade de Clemente XI, o Processo Canônico Ordinário Informativo para a sua Beatificação. Depois de ter superado vicissitudes e dificuldades de vários tipos, Pio VII, aprovados dois milagres atribuídos à intercessão do Venerável Cardeal Tomasi, o proclamou Beato em 29 de setembro de 1803.
Um novo milagre, atribuído à intercessão do Beato José Maria Tomasi, foi aprovado, com decreto de 06 de julho de 1985, pelo Papa São João Paulo II, para sua canonização.
As relíquias de seu corpo foram transferidas em 1971 da Basílica de seu título, Santos Silvestre e Martin do Monti, para a Basílica de S. Andrea della Valle dos Padres Teatinos, onde elas estão atualmente expostas à veneração dos fiéis.

Sua festa é celebrada em 3 de janeiro.

FONTE: Traduzido e adaptado a partir do site da Santa Sé

Um comentário:

  1. Nós Teatinos ficamos muito felizes com esta postagem! Nós jovens religiosos Teatinos rogamos muito pedindo a graça de uma verdadeira dedicação a sagrada liturgia! Abraço... Ir. Blener Domingues, CR

    ResponderExcluir