segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Função do Cerimoniário na Missa Cantada


Por Blasius Ludovicus

Continuamos nossa exposição sobre a Santa Missa. Já publicamos descrição geral da Santa Missa Cantada com incensação, agora apresentamos a função do Cerimoniário (Cer) nesta mesma Missa.   
De modo geral a função do Cer é assegurar a execução correta e digna da cerimônia, por isso ele deve velar para que cada ministro cumpra sua função convenientemente. Não hesitará, se necessário for, a lhes dirigir discretamente.

I
A Missa até o Ofertório

1. Na sacristia o Cer ajuda o Celebrante (Cel) a paramentar-se. No momento oportuno, dá-se a procissão de entrada. Ele segue os Acólitos (Acs), e apresenta a água benta ao Cel na entrada da igreja, caso não haja aspersão. Se for necessário subir degraus para acessar o presbitério, o Cer desloca-se um pouco para a direita do Cel e levanta-lhe a parte dianteira das vestes. Chegado ao pé do altar, o Cer recebe o barrete e faz genuflexão à direita do Cel, guarda o barrete e marca para que os Acs se ajoelhem, e se ajoelha in plano.
2. Se houver Asperges, chegando ao pé do altar o Cer faz genuflexão à direita do Cel, e o Turiferário (Tur) à esquerda e todos se ajoelham; o Cer entrega o hissope ao Cel. E se levantam depois de serem aspergidos, após a entoação do Asperges. O Cer e o Tur ladeiam o Cel durante a aspersão, sustentando-lhe o pluvial. Depois da oração, o Cer e o Tur acompanham o Cel à banqueta, e Cer ajuda o Cel a revestir-se da casula, enquanto o Tur vai guardar o pluvial; em seguida o Cel e o Cer retornam ao meio para as orações ao pé do altar.
3. O Cer, ajoelhado in plano, à direita do Cel, responde às orações ao pé do altar; terminadas estas, ajuda o Cel a subir os degraus, levantando-lhe as vestes, e marca para que os ministros se levantem; convida o Tur para dirigir-se à lateral do altar no lado da Epístola. Dirige-se igualmente para este lugar, onde recebe a naveta e sobe com o Tur ao supedâneo. Abre a naveta e, osculando primeiro a colherinha e depois a mão do Cel, apresenta-lhe a colherinha, pedindo-lhe a bênção do incenso dizendo: “benedicite Pater Reverende”.
Colocado o incenso, o Cer recebe a colherinha das mãos do Cel (osculando a mão e em seguida a colherinha), fecha a naveta a entrega ao Tur de quem recebe o turíbulo. Com os ósculos prescritos (na parte superior e em seguida a mão do Cel) ele o entrega ao Cel, e o acompanha à sua direita durante a incensação do altar, fazendo genuflexão com o Cel e sustentando seu cotovelo durante as mesmas. Terminada a incensação, o Cer recebe o turíbulo (com os ósculos), desce in plano no lado Epístola, e incensa o Cel com três golpes duplos, inclinando-se profundamente antes e depois. Em seguida entrega o turíbulo ao Tur que está à sua esquerda, e sobe ao missal.
4. O Cer indica ao Cel a antífona do Introito, faz o sinal da cruz e as reverências com o Cel, depois responde o Kyrie. Se houver tempo, o Cel se senta durante o canto do Kyre. Ao canto do último verso, ele chama o Cel a dirigir-se ao meio do altar para entoação do Gloria in excelsis Deo ou do Dominus vobiscum. Se houver o Gloria, o Cer volta para o seu lugar no lado direito, in plano. Se não, permanece no Missal para a Colecta.
5. Se houver o Gloria, faz as inclinações para a cruz. Terminada a recitação, o Cel faz genuflexão no supedâneo e ele, in plano. O Cer lhe precede a banqueta, onde se coloca um pouco à direita, voltado para a nave, inclinando-se para a cruz quando necessário. Depois do sinal da cruz ele convida o Cel a dirigir-se ao pé do altar, faz o sinal para a genuflexão, e sobe ao missal pelo lado da Epístola para o canto da Colecta.
6. O Cel dirige-se ao missal depois do Dominus vobiscum: o Cer se inclina com ele ao Oremus e depois lhe indica a Colecta. Terminada esta, o Cel e o Cer dirigem-se diretamente à banqueta, enquanto um ministro com ordens sacras canta a Epístola. Após o canto da Epístola, o Cer (começada a repetição do Aleluia ou ainda começado o versículo deste) chama o Cel a retornar diretamente ao missal (sem genuflexão), onde lhe indica o Gradual e o Alleluia. Encerrada a leitura, ele recua ao lado do supedâneo e chama o Tur para colocação do incenso que se desenvolve normalmente. O incenso benzido, o Cer devolve a naveta ao Tur, mas este mantém o turíbulo consigo.
7. Colocado o incenso, o Cer permanece voltado para o missal; quando o Tur estiver indo ao pé do altar, o Cer pega a estante com o missal e desce ao pé do altar à direita do Tur: os dois fazem genuflexão, o Cer sobe para colocar o missal no lado do Evangelho do altar. Desce logo à direita do Tur,[1]atrás do Cel que se aproxima do missal.
8. Durante o Sequentia Sancti Evangelii, o Cer se persigna e recebe o turíbulo do Tur e sobe à direita do Cel. Ele lhe passa o turíbulo (com os ósculos prescritos) e se inclina (de cabeça) com o Cel antes e depois da incensação do missal. Recebe o turíbulo como de costume (sempre com os ósculos) e volta ao seu lugar à direita do Tur e lhe devolve o turíbulo. Se há a palavra Iesus no começo do Evangelho, o Cer faz a inclinação para o missal antes de sair. No fim do Evangelho o Cer à esquerda do Tur faz a genuflexão e vai para o seu lugar no lado da Epístola.
9. Se houver homilia, o Cer vai se sentar.
10. Se houver Credo, o Cer coloca-se em seu lugar in plano voltado para o altar no lado da Epístola. O Cel recita o credo, depois o Cer o acompanha à banqueta para o fim do canto. Estando o Cel sentado o Cer,[2] se é tonsurado[3], pega o cálice na credência (com a mão esquerda, tendo a direita sobre a bolsa), e o leva para o altar (faz genuflexão no centro, sobe ao supedâneo e desdobra o corporal, colocando o cálice sobre este), aproxima o missal. Depois retorna à banqueta, onde permanece em pé, voltado para a nave. No “et vitam venturi sæculi”, chama o Cel para retornar ao altar, como de costume.
11. Se não houver homilia ou Credo, o Cer, se é tonsurado, vai à credência, pega o cálice e o leva para o altar depois do Oremus do ofertório, diretamente pelo lado da Epístola. À direita do Cel depõe o cálice sobre o altar e lhe passa a bolsa do corporal, depois coloca o cálice sobre o corporal já desdobrado, recebendo o véu em seguida.

II
Do Ofertório ao fim da Missa

1. Ao Oremus do ofertório, depois da reverência, o Cer sobe à direita do Cel para receber o véu do cálice e retorna ao seu lugar in plano. Quando o Cel inclinar-se sobre as oblatas (In spiritu humilitatis), o Cer chama o Tur para colocação do incenso, que se desenvolve normalmente. Em seguida o Cer devolve a naveta ao Tur, e recebe o turíbulo que passa ao Cel com os ósculos prescritos. Ele assiste este último durante a incensação das oblatas e do altar, sustentando seu cotovelo a cada genuflexão.
2. No fim da incensação do altar, o Cer recebe o turíbulo do Cel, desce in plano e o incensa com três golpes duplos, inclinando-se profundamente antes e depois. Em seguida acompanha o Tur ao pé do altar (Tur à esquerda), fazem genuflexão, e depois devolve o turíbulo ao Tur, e sobe diretamente ao missal. Responde o Orate Fratres, indica a Secreta ao Cel, coloca o missal na página do Prefácio. Enquanto o Cel o canta, o Cer se volta para o Tur no momento oportuno para ser incensado. Quando o Cel terminar a recitação do Sanctus, o Cer coloca o missal na página do Canon.
3. Durante o Canon, o Cer permanece no missal, trocando as páginas quando necessário. Cuidará para não impedir a leitura do Cel. No Memento dos vivos,[4]retira-se ligeiramente e se reaproxima quando o Cel estender as mãos novamente. No Quam oblationem, o Cer ajoelha-se no supedâneo; ele levanta a casula do Cel a cada elevação, e levanta-se com ele depois da última genuflexão. Isto deve ser feito de forma breve para que possa retornar ao missal, mas com cuidado para evitar acidente. Permanece no missal para trocar as páginas quando necessário, e faz genuflexão com o Cel sustentando-o pelo cotovelo. No Memento dos mortos, retira-se como para o Memento dos vivos. Permanece no missal até as orações que precedem a comunhão (a última genuflexão antes da comunhão), inclusive.
4. No primeiro Domine non sum dignus do Cel, o Cer desce para ajoelhar-se no lado do Evangelho do altar.[5]
5. Quando o Cel descobrir o cálice para comungar, o Cer marca para todos se levantarem: o Ac1 vai buscar a patena, ao voltar, marca genuflexão e depois sobem para se ajoelharem sobre o supedâneo. Em seguida inclina-se mediocremente durante o Confiteor,[6]durante a comunhão do Preciosíssimo Sangue, e permanece assim até o fim do Indulgentiam. O Cer, que está na extremidade do lado do Evangelho, é o último a comungar. Ele mantém a patena de comunhão consigo, levanta-se e acompanha o Cel para a distribuição da comunhão. Terminada esta, lhe dá a patena da comunhão e o precede ao altar; ajoelha-se in gradu, no lado da Epístola.
6. Fechado o sacrário, todos os ministros inferiores levantam-se. O Cer permanece em seu lugar durante as abluções e sobe ao lado da Epístola assim que o Ac1 colocar o missal; indica ao Cel a antífona da comunhão (Communio) quando este vier recitá-la. Permanece no missal durante o Dominus vobiscum e depois lhe indica a Postcommunio. Cantada esta, fecha o missal (com a abertura voltada para o meio do altar), e desce para o lado da Epístola.
Durante o Ite Missa est passa para o lado do Evangelho in plano,[7]depois marca para ajoelhar e receber a bênção, em seguida sobe ao lado do Evangelho, e apresenta ao Cel a sacra do último Evangelho. Recitado este, coloca a sacra em seu lugar e posiciona-se ao pé do altar, de tal sorte que esteja à direita do Cel para a genuflexão final. Quando todos estiverem em suas posições, marca para a genuflexão final e precede o Cel à sacristia, onde saúda a cruz e ajuda o Cel a desparamentar-se.



[1] Fazendo genuflexão na chegada.
[2] Se o Cer não tem o poder de tocar os vasos sagrados, pode-se designar alguém que já tenha este direito para suprir este ofício.
[3] Se o Cer não é tonsurado nem há um tonsurado para levar o cálice ao altar, se terá instalado o cálice no altar antes da Missa.
[4] O Cel une as mãos.
[5] À esquerda do Ac2, sobre o degrau mais baixo.
[6] Que é iniciado por ele mesmo quando o Cel terminar de traçar o sinal da cruz com o cálice.
[7] Se oportuno vai logo buscar o barrete do Cel

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