quarta-feira, 4 de maio de 2016

Cerimônias da absolvição dos defuntos

 

A absolvição dos Defuntos é obrigatória nas exéquias, quer o cadáver esteja presente fisicamente, quer moralmente. Pode-se dar a absolvição, ainda que seja cantada, depois de qualquer Missa de Requiem, mesmo rezada (D. 4215). Deve ser dada pelo mesmo sacerdote que celebrar a Missa, acolitado pelos mesmos Ministros, a não ser que o Bispo diocesano a queira dar.[1]
É proibido dar a absolvição depois duma Missa que não seja de Requiem (D. 2186; 3014, 1). Mas pode dar-se, independentemente da Missa, a qualquer hora do dia, excepto nas festas de 1 classe (D. 3780, 4183), por qualquer sacerdote, revestido de sobrepeliz e estola e pluvial preto, em assistência de Ministros sagrados. A absolvição pode ser sobre o cadáver, sobre a essa, ou sobre um pano preto.

A) ABSOLVIÇÃO SOBRE O CADÁVER
O cadáver deve estar presente física ou moralmente. Considera-se moralmente presente quando nas exéquias, e só neste caso, por uma causa razoável, não puder estar fisicamente presente, quer o cadáver esteja ainda insepulto quer não (n.°936). O cadáver de um leigo (e a sua essa) coloca-se com os pés voltados para o altar. O cadáver de um sacerdote (e a sua essa, se o cadáver estiver moralmente presente) coloca-se com a cabeça para o altar e os pés para o povo. Se o cadáver não estiver moralmente presente, a essa de um sacerdote coloca-se, como a dos leigos, com os pés para o altar (D. 4034, 3).
O cerimonial desta absolvição é o mesmo que o descrito no número seguinte. Antes do Libera me o Celebrante recita a oração Non intres, e, se o cadáver for de um sacerdote, o Subdiácono coloca-se com a Cruz entre a essa e o altar, e o Celebrante com o Diácono entre a essa e o povo.

1351. — B) ABSOLVIÇÃO SOBRE A ESSA
1. A essa coloca-se no coro, se a absolvição for por um sacerdote; coloca-se no corpo da igreja, se for por um leigo. Em ambos os casos dispõe-se
com os pés voltados para o altar.
2. Terminado o último Evangelho, o Celebrante e Ministros retiram-se para o banco. O Celebrante tira a casula e o manípulo e veste o pluvial; os Ministros tiram os manípulos. Se não houver pluvial preto, o Celebrante vai de alva e estola, o Diácono sem a dalmática, e o Subdiácono sem a tunicela.
Forma-se a procissão para a essa, por esta ordem: à entrada do presbitério, o Acólito com a caldeirinha da água benta e à direita dele o Turiferário com o turíbulo; o Subdiácono com a Cruz processional no meio de dois Acólitos com ciriais; o clero em duas filas; o Cerimoniário; por fim o Celebrante com o Diácono à esquerda. Dado o sinal, fazem todos a devida reverência ao altar, e dirigem-se para a essa, indo o Celebrante e o Diácono cobertos com o barrete.
Ao chegar, o Acólito da água benta e o Turiferário afastam-se para o lado da Epístola e deixam passar diante de si o clero. O Subdiácono e os Acólitos com os ciriais vão, pelo lado do Evangelho, colocar-se à cabeceira da essa um pouco afastados dela, voltados para o altar; e assim ficam até ao fim da absolvição. O clero dispoe-se dum e doutro lado da essa, voltados para ela, os mais dignos mais perto do Celebrante. O Celebrante com o Diácono à esquerda fica do lado da Epístola, aos pés da essa, de costas para o altar, olhando para a Cruz sustentada pelo Subdiácono. Atrás do Celebrante, o Cerimoniário, o Acólito da água benta e o Turiferário.
Assim dispostos, o Celebrante e Diácono descobrem-se, e
o Diácono entrega os barretes ao Cerimoniário.
Se o cadáver estiver física ou moralmente presente, o Celebrante
começa por ler a oração Non intres, pelo livro sustentado pelo Diácono;
aliás, começa-se imediatamente pelo responsório Libera me.
O cantor entoa o responsório, que o clero continua.[2]
Enquanto o coro repete o responsório Libera me, o Diácono
e o Turiferário passam para a direita do Celebrante, e ministram
à imposição do incenso, que o Celebrante benze como de costume; depois o Diácono e o Turiferário voltam para os seus lugares.
3. Terminado o responsório e cantado pela terceira vez Kyrie eleison, o Celebrante canta: Pater noster, que todos continuam secretamente. Entretanto o Diácono, o Acólito da água benta e o Turiferário passam para a direita do Celebrante. O Diácono com a mão esquerda levanta a orla do pluvial do Celebrante e com a direita pega no hissope que o Acólito lhe apresenta. O Celebrante recebe o hissope da mão do Diácono, e, acompanhado dele e precedido do Cerimoniário, faz reverência ao altar, e dá a volta à essa, aspergindo-a, três vezes, transeundo e sem parar, indo pelo lado do Evangelho e depois faz o mesmo do lado da Epístola. Ao passarem diante da Cruz que o Subdiácono sustenta, o Celebrante faz inclinação profunda, e o Diácono, se não for conego, genuflexão. Chegados ao lugar em que estavam antes, o Celebrante entrega o hissope ao Diácono.
Este entrega-o ao Acólito, recebe o turíbulo do Turiferário, e apresenta-o ao Celebrante. Feita novamente reverência ao altar, o Celebrante vai, precedido do Cerimoniário e acompanhado do Diácono, incensar a essa da mesma forma que fez a aspersão.
Tendo voltado ao seu lugar, o Celebrante entrega o turíbulo ao Diácono (o qual o passa ao Turiferário), e canta pelo livro sustentado pelo Diácono: Et ne nos inducas in tentationem, com os versiculos e a Oração. Se o cadáver estiver física ou moralmente presente, diz-se a Oração Deus cui proprium est; aliás, diz-se a Oração Absolve. Se o defunto for sacerdote, às palavras famuli tui N. acrescenta-se a palavra Sacerdotis.
Terminada a Oração, e respondido pelo coro Amen, o Celebrante põe a mão esquerda no peito e com a direita traça o sinal da cruz, dizendo Requiem aeternam, etc. Os cantores ajuntam Requiescat (ou Requiescant) in pace, ao que o coro responde: Amen. E se a absolvição não tiver sido por todos os Defuntos, o Celebrante acrescenta: Anima ejus (ou Animae eorum) et animae omnium fidelium defunctorum per misericordiam Dei requiescant in pace. O coro responde: Amen.
4. Feita a reverência ao altar, o Celebrante começa a antífona Si íniquitates, e vão todos, pela ordem em que vieram, para a sacristia, recitando com o Celebrante o salmo De profundis. Chegados à sacristia, repetem todos a antífona Si íniquitates, e o Celebrante ajunta os versiculos e a Oração, conforme vem no Missal (D. 4081, 3). Estas preces omitem-se se a absolvição tiver sido por todos os Defuntos.
5. Se a absolvição for dada por um Prelado, este senta-se no faldistório, de costas para o altar, durante o canto do Libera me. Quanto ao resto
segue-se o cerimonial acima descrito.

C) ABSOLVIÇÃO SOBRE O PANO PRETO

Se não houver essa, durante o último Evangelho os Acólitos estendem no plano, diante do altar, um pano preto, a representar o túmulo. Terminado o último Evangelho, o Celebrante e os Ministros fazem no supedâneo reverência ao altar, e vão directamente ao banco tirar os manípulos; o Celebrante tira também a casula e pega no pluvial preto.
Fazem reverência ao altar e sobem pelo lado da Epístola.
O Celebrante coloca-se diante do Missal aberto, tendo à sua direita o Diácono e à esquerda o Subdiácono; e assim ficam até ao fim do responsório Libera me. O Acólito da água benta e o Turiferário ficam no plano do lado da Epístola. Quando o coro começar a repetir o Libera me, o Turiferário sobe ao segundo degrau, e o Celebrante impõe e benze o incenso, como de costume, ministrando o Diácono e levantando o Subdiácono a fímbria do pluvial. O Turiferário desce, e, sem voltar as costas ao altar, vai pelo plano para o lado do Evangelho, com o Acólito da água benta, genuflectindo ao passar diante do altar.
Cantado o último Kyrie, o Celebrante canta: Pater noster. Vai com os ministros ao meio do altar, e, sem sair do supedâneo, volta-se para o pano, ficando o Diácono à direita e o Subdiácono à esquerda. O Diácono pega no hissope, que o Acólito lhe apresenta, e entrega-o ao Celebrante. Este asperge o pano por três vezes, ao meio, à esquerda e à direita. O Diácono recebe o hissope e entrega-o ao Acólito; recebe do Turiferário o turíbulo e passa-o ao Celebrante, que incensa o pano com três ductos simples, ao meio, à esquerda e à direita. Durante a aspersão e a incensação os Ministros levantam a orla do pluvial. Voltam para o lado da Epístola, como estavam antes, e o Celebrante canta: Et ne nos inducas, etc., com os versículos e a Oração. Ao dizer Requiem aeternam, faz o sinal da cruz sobre o Missal, que o Diácono fecha em seguida. Dito pelos cantores Requiescat (ou Requiescant) in pace, o Celebrante acrescenta, como acima, Anima ejus (ou Animae eorum), etc., se a absolvição não tiver sido por todos os Defuntos.
Os Acólitos retiram o pano. O Celebrante e Ministros vão
ao meio do altar e descem ao plano. Feita a devida reverência ao altar, cobrem-se, regressam todos à sacristia, recitando entretanto as preces Si iniquitates, etc., como acima. Vão à frente o Acólito da água benta com o Turiferário, depois os Acólitos com os ciriais, o Cerimoniário, e por fim o Celebrante no meio dos Ministros que lhe levantam a orla do pluvial.
Se não houver pano preto, deve omitir-se a Absolvição

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(Texto conforme Curso de Liturgia Romana, II: Liturgia Sacrifical. Rev. e ampl. [Dom] Antonio Coelho [O.S.B.]. Portugal, Braga: Pax, p. 532-36, 1943).





[1] D. 3029, 10; 3798, 2; Cfr. Epkem. Lit., 1932, p. 111.
[2] É conveniente que o Celebrante e o Diácono o cantem juntamente com o coro, ou pelo menos o recitem alternadamente em voz submissa (D. 4198, 5).

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