terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Padre da minha vida

Hoje completa 5 anos de falecimento do Reverendíssimo Monsenhor José Possidente, que desgastou-se totalmente na formação dos futuros sacerdotes da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. R.I.P.
Por isso, reproduzimos aqui o testemunho que Dom Fernando Rifan, atual Administrador Apostólico da Administração Apostólica P. S. João M. Vianney, que foi levado ao Seminário pelo falecido Monsenhor.

Dom Fernando Arêas Rifan
A vocação sacerdotal é um chamamento divino, pura graça de Deus, independente dos nossos méritos ou qualidades humanas. Mas essa grande graça, Deus a concede através de circunstâncias e pessoas bem terrestres e humanas.
Na minha vocação, Deus se serviu de um padre, que me inspirou o desejo de seguir a Jesus no sacerdócio. Seu zelo, sua dedicação, mas, sobretudo, sua alegria e felicidade de ser sacerdote me fascinaram. Quando me veio a vontade de ser padre, pensava logo em ser como Padre Emanuel José Possidente, o Padre José, como nós o chamávamos.
Pe. José era então um jovem padre de 25 anos, vigário paroquial do nosso amado Pároco Mons. Ovídio Simon. Fui seu coroinha, cantor do seu Coral “Pequenos cantores de São Domingos Sávio” e seu aluno por dois anos no Colégio Fidelense, na Paróquia de São Fidélis, de 1960 até minha entrada no Seminário em 1963. Ajudava suas missas, acompanhava-o na visita às capelas da zona rural, participava dos retiros, passeios e piqueniques que ele promovia. Minha felicidade era estar na casa paroquial e participar da convivência dos padres, dos outros coroinhas e meninos do Coral.
Quando lhe falei que queria ser padre, ele começou a me provar. Uma das provas foi bater o sino da Igreja todos os dias às 6 horas da manhã, o que eu cumpri devidamente. Ele mesmo falou com meus pais, que aceitaram minha decisão como uma honra para eles. Foi ele também, junto com meus pais, que me levou ao Seminário, no dia 2 de fevereiro de 1963, dia da apresentação do Menino Jesus no Templo.
Tive grande alegria quando, no meu segundo ano de Seminário, o Padre José foi para lá transferido, tornando-se assim o meu professor e diretor espiritual até o curso de Teologia. Foi sempre o meu conselheiro e eu o escolhi para padrinho na minha Ordenação Sacerdotal.
Sua dedicação, seu zelo, sua alegria de ser padre, seus exemplos, sempre foram o parâmetro para minha vida sacerdotal. Nas dificuldades que passamos juntos, sempre foi o sábio orientador.
Mas, o maior apoio e incentivo eu recebi dele quando das conversações com a Santa Sé, que deram origem à nossa Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Padre José me apoiou em todos os momentos e dificuldades, especialmente na aceitação do Episcopado e nos primeiros anos difíceis da nossa Administração. Ele, que tinha sido o conselheiro e ajudante direto de Dom Antônio de Castro Mayer, teve a clara compreensão da situação e me apoiou em todas as orientações e posições que as novas circunstâncias exigiam. Eu sempre lhe perguntava: “Padre José, o senhor que conviveu com Dom Antônio de Castro Mayer, diga-me se estou agindo corretamente nas atuais circunstâncias?”. Ao que ele respondia afirmativamente, com sua peculiar clarividência, dando a sua completa aprovação ao nosso proceder.
Agora, alquebrado pela enfermidade, ele, que foi nosso mestre em comunicação, confessou-me que realmente essa era a maior prova da sua vida: não poder se comunicar com facilidade. Mas esse grande pregador e comunicador nos edifica com seu silêncio e sua paciência. “In cruce, perfectio”, “na cruz, a perfeição”, foi o seu lema de vida, agora realizado com toda a perfeição.
E é com esse sacrifício que nós celebramos com ele seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, na imolação do altar do Cordeiro que por nós sacrificou sua vida para nos abrir o Céu.

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Pregação de Monsenhor José Possidente na Recepção de Batina
Bom Jesus 17/03/01



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