segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O hino “Gloria in excelsis” e as classes das Missas

Padre Domingos Sávio entoando o Gloria em sua primeira Missa Solene.


Recebemos algumas dúvidas. E procuraremos responder com o seguinte texto.

Todas as Missas na Forma Extraordinária tem Gloria?

Lendo as Rubricas Gerais do Missal Romano, descobrimos que é impossível que todas as Missas tenham Gloria. Conforme tais Rubricas, o hino “Gloria in excelsis” se diz:
a) nas Missas que correspondem ao Ofício do dia (ou seja, a Missa própria do dia), sempre que em Matinas se tenha dito o hino Te Deum;
b) nas Missas festivas: III classe impedida por outra festa do mesmo grau; da comemoração no Ofício do dia corrente; do Mistério, do Santo ou do Beato, cujo elogio se acha nesse dia no Martirológio ou em seu Apêndice aprovado para as respectivas Igrejas;
c) nas Missas da Quinta-feira In coena Domini, e na Missa da Vigília Pascal;
d) nas Missas votivas de I, II e III classe, a não ser que se use a cor roxa nos paramentos;
e) nas Missas votivas de IV classe dos Anjos, em qualquer dia, e da Santíssima Virgem Maria que se celebram no sábado.

Entretanto, o mesmo hino se omite:
a) nas Missas que correspondem ao Ofício do dia, quando em Matinas se omite o hino Te Deum;
b) em todas as Missas em que se usa a cor roxa nos paramentos;
c) nas Missas votivas de IV classe (exceto nas Missas votivas de IV classe dos Anjos, em qualquer dia, e da Santíssima Virgem Maria que se celebram no sábado, como dito acima);
d) e nas Missas de defuntos.

O que são Missas de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classes?
As classes ordenam as Missas segundo a importância da festa celebrada. Quanto mais solene o dia litúrgico, mais importante a sua classe. Mas antes de respondermos a pergunta é necessário dizer o que é uma Missa votiva.
Por Missa votiva se entende a Missa que se diz fora da ordem do Ofício ou das comemorações do dia em curso, ou não é de um Mistério, ou de um Santo que tem seu elogio nesse mesmo dia no Martirológio (CR, 306).

As Missas votivas de I classe em geral
Por Missa votiva de I classe se entende a Missa votiva que se permite celebrar em todos os dias litúrgicos, com exceção apenas daqueles dias assinalados nos nn. 1-8 da tabela de precedência[1] (CR, 328).

As Missas votivas de II classe em geral
Por Missas votivas de II classe se entende a Missa votiva que se permite celebrar todos os dias litúrgicos de II, III e IV classe (CR, 341).

As Missas votivas de III classe
384. Por Missa votiva de III classe se entende a Missa votiva que se pode celebrar nos dias litúrgicos de III e IV classe (CR, 384), e são as que previstas pelas rubricas gerais (CR, 385).

As Missas votivas de IV classe
Missa votiva de IV classe é a Missa votiva que só se pode celebrar nos dias litúrgicos de IV classe (CR, 387). Para a Missa votiva de IV classe se pode tomar qualquer Missa, permitida como votiva pelas rubricas. Se requer, portanto, justa causa, a saber, necessidade, utilidade ou devoção do sacerdote ou dos fiéis (CR, 388).

Quando elas têm Glória e Credo?

Dissemos no início quando as Missas têm direito ao Gloria. Já quanto ao Credo, diz-se:
a) em qualquer Domingo, mesmo que seu Ofício ceda o lugar a alguma festa, ou se celebre uma Missa votiva de II classe;
b) nas festas de I classe e nas Missas votivas de I classe;
c) nas festas do Senhor e da Santíssima Virgem Maria;
d) durante as oitavas da Natividade do Senhor, Páscoa e Pentecostes, mesmo nas festas ocorrentes e nas Missas votivas;
e) nos natalícios dos Apóstolos e Evangelistas, assim como também nas festas da Cátedra de São Pedro e São Barnabé Apóstolo (CR, 475).

Porém, não se diz Credo:
a) nas Missas do Santo Crisma e da Instituição da Eucaristia da Quinta-feira Santo, e na Missa da Vigília Pascal;
b) nas festas de II classe, com exceção das mencionadas acima;
c) nas Missas votivas de II classe;
d) nas Missas festivas e votivas de III e IV classe;
e) por razão de alguma comemoração na Missa ocorrente;
f) nas Missas de defuntos (CR, 476).

A precedência dos dias litúrgicos

Para entender tudo o que dissemos acima, é necessário ter noção do que seja um dia litúrgico.
O dia litúrgico é o dia santificado por ações litúrgicas, especialmente pelo Sacrifício eucarístico e pela oração pública da Igreja, isto é, o Ofício Divino; e decorre da meia-noite até a meia-noite (CR, 4).
A celebração do dia litúrgico decorre per se desde as Matinas até às Completas. No entanto, há dias mais solenes nos quais o Ofício começa com as I Vésperas do dia anterior. Finalmente, existe a celebração litúrgica não plena ou só comemoração no Ofício e na Missa do dia litúrgico corrente (CR, 5).

 A precedência dos dias litúrgicos, omitidos quaisquer outros títulos ou normas, se rege unicamente pela seguinte (CR, 91).

TABELA DOS DIAS LITÚRGICOS
disposta segundo a ordem de precedência

Dias litúrgicos de I classe
1. Festa da Natividade do Senhor, Domingo da Ressurreição e Domingo de Pentecostes (I classe com oitava).
2. O Tríduo Sacro.
3. As festas da Epifania e da Ascensão do Senhor, da Santíssima Trindade, de Corpus Christi, do Sagrado Coração e de Cristo Rei.
4. As festas da Imaculada Conceição e Assunção da Santíssima Virgem Maria.
5. A Vigília e a oitava da Natividade.
6. Os Domingos do Advento, Quaresma e da Paixão e o Domingo “in albis”.
7. As férias de I classe não nomeadas acima, a saber: a Quarta-feira de Cinzas e a segunda, a terça e a quarta-feira da Semana Santa.
8. A Comemoração de todos os fiéis defuntos, que, entretanto, cede o lugar ao Domingo ocorrente.
9. A Vigília de Pentecostes.
10. Os dias durante as oitavas da Páscoa e de Pentecostes.
11. As festas de I classe da igreja universal não nomeadas acima.
12. As festas próprias de I classe, a saber:
1) A festa do Patrono principal legitimamente constituído de:
a) uma nação;
b) uma região ou uma província, seja eclesiástica ou civil;
c) uma diocese.
2) O aniversário da dedicação da igreja catedral.
3) A festa do Patrono principal legitimamente constituído de um lugar, vila ou de uma cidade.
4) A festa e aniversário da Dedicação da própria igreja, ou do oratório público ou semipúblico, que ocupa o lugar da igreja.
5) O Titular da própria igreja.
6) A festa do Título da Ordem ou Congregação.
7) A festa do Fundador canonizado da Ordem ou Congregação.
8) A festa do Patrono principal legitimamente constituído da Ordem ou da Congregação, e da província religiosa.
13. As festas concedidas de I classe, primeiro as móveis, depois as fixas.

Dies liturgici II classis
14. As festas do Senhor de II classe, primeiro as móveis, depois as fixas.
15. Os Domingos de II classe.
16. As festas de II classe da Igreja universal, que não são do Senhor.
17. Os dias durante a oitava da Natividade do Senhor.
18. As férias de II classe, a saber: do Advento, desde o dia 17 até o dia 23 de dezembro inclusive, e as férias das Temporas do Advento, da Quaresma e do mês de setembro.
19. As festas próprias de II classe, a saber:
1) A festa do Patrono secundário legitimamente constituido: a) de uma nação; b) de uma região ou de uma província, seja eclesiástica ou civil; c) de uma diocese; d) de um lugar, vila ou cidade.
2) As festas dos Santos ou Beatos, dos quais se trata no n. 43 d.
3) As festas próprias dos Santos de uma igreja (n. 45 c)
4) A festa do Fundador beatificado de uma Ordem ou Congregação (n. 46 b).
5) A festa do Patrono secundário legitimamente constituído de uma Ordem ou Congregação e de uma província religiosa (n. 46 d).
6) As festas dos Santos ou Beatos, dos quais se trata no n. 46 e.
20. As festas concedidas de II classe, primeiro as móveis, depois as fixas.
21. As Vigílias de II classe.

Dias litúrgicos III classe
22. As férias de Quaresma e da Paixão, desde a quinta-feira depois das cinzas até o sábado antes do II Domingo da Paixão inclusive, exceto as férias das Temporas.
23. As festas de III classe, inscritas nos Calendários particulares, e em primeiro lugar as festas propias, a saber:
1) As festas dos Santos ou Beatos, dos quais se trata no n. 43 d.
2) As festas dos Beatos próprias de alguma igreja (n. 45 d).
3) As festas dos Santos ou Beatos, dos quais se trata no n. 46 e; depois as festas concedidas, primeiro as móveis, depois as fixas.
24. As festas de III classe, inscritas no Calendário da Igreja universal, primeiro as móveis, depois as fixas.
25. As férias do Advento até o dia 16 de dezembro inclusive, exceto as férias das Têmporas.
26. A Vigília de III classe.

Dias litúrgicos de IV classe
27. O Ofício de Santa Maria “no sábado”.
28. As férias de IV classe.

Em resumo, poderíamos dizer que nem todas as Missas tem Gloria, nem Credo, e que deve-se observar tudo conforme as Rubricas Gerais e especiais do Missal Romano.


[1] Salvo o prescrito no n. 332 do Codex.

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