domingo, 6 de novembro de 2016

Tradução do Motu Proprio Rubricarum Instructum, de São João XXIII

Apresentamos a seguir uma tradução da Carta Apostólica que aprovou as novas rubricas da Forma Extraordinária. Este documento é de importância capital para nós porque nele temos sintetizada a reforma da Liturgia que procuramos divulgar em nosso pequeno Apostolado.
Por ele temos a segurança de vivermos uma Liturgia da Igreja e para a Igreja, contra o fechamento que pode haver em grupos que procuram viver uma liturgia imaginária ou à margem do Direito e auspício da Igreja Católica.

Carta Apostólica dada Motu Proprio
RUBRICARUM INSTRUCTUM
com o qual se aprova
o novo conjunto das Rubricas do
Breviário e do Missal Romanos, do
PAPA JOÃO XXIII

A Sé Apostólica definiu e ordenou continua e minuciosamente, sobretudo depois do Concílio de Trento, o conjunto das Rubricas que ordenam e regulam o culto público da Igreja.
Por isso, todo o sistema das Rubricas tem sido aumentado por causa das numerosas correções, mudanças e adições introduzidas no transcurso do tempo, nem sempre com uma ordem sistemática e, portanto, não sem detrimento da simplicidade e clareza primitivas.
Não é, pois, de se estranhar que nosso Predecessor Pio XII, de feliz memória, acolhendo numerosos pedidos de Bispos, decidiu simplificar, pelo menos parcialmente, as Rubricas do Breviário e do Missal Romanos, o qual se levou a cabo pelo Decreto geral da Sagrada Congregação dos Ritos do dia 23 de março de 1955.
De fato, no ano seguinte, em 1956, enquanto prosseguiam os estudos preparatórios para a reforma da Liturgia, nosso Predecessor quis ouvir o parecer dos Bispos acerca duma futura reforma litúrgica do Breviário Romano. Porém, depois de examinar atentamente as respostas dos Bispos, decidiu que se abordasse o problema de uma reforma general e sistemática das Rubricas do Breviário e do Missal, confiando-a a Comissão especial de peritos, à qual já se havia encomendado o estudo da reforma general da Liturgia.
Nós, porém, depois de, por inspiração divina, decidirmos convocar o Concílio Ecumênico, mais de uma vez temos pensado sobre o que seria mais conveniente fazer a respeito desta iniciativa de nosso Predecessor. E depois de haver ponderado bem, chegamos à determinação de propor aos Padres no próximo Concilio Ecumênico os princípios fundamentais referentes à reforma litúrgica, mas que não se deve diferir por mais tempo a reforma das Rubricas do Breviário e do Missal.
Por isso, de motu proprio, em plena consciência, com nossa Autoridade apostólica decidimos aprovar o conjunto das Rubricas do Breviário e do Missal Romanos, preparado por alguns peritos da Sagrada Congregação dos Ritos e examinado diligentemente pela Pontifícia Comissão para a reforma general da Liturgia, determinando o seguinte:
1º - Mandamos que todos os que seguem o Rito Romano observem, desde o dia 1º de janeiro do ano de 1961, o novo Código de Rubricas do Breviário e do Missal Romanos, dividido em três partes, a saber: Rubricas gerais, Rubricas gerais do Breviário Romano e Rubricas gerais do Missal Romano, que em breve será promulgado por Nossa Sagrada Congregação dos Ritos.
Os que observam outro rito latino estão obrigados a conformar-se o quanto antes seja ao novo Código de Rubricas, seja ao Calendário em tudo aquilo que não for estritamente próprio de seu rito.
2º - No mesmo dia 1º de janeiro de 1961 deixam de ter vigência as Rubricas gerais do Breviário e do Missal Romanos, assim como as Adições e Variações às Rubricas do Breviário e do Missal Romanos conforme a norma da Bula Divino afflatu de nosso Predecessor São Pio X, que agora se encontram no começo desses livros litúrgicos.
Igualmente cessa o vigor do Decreto geral da Sagrada Congregação dos Ritos sobre a simplificação das Rubricas, do dia 23 de março de 1955, que foi assumido na nova redação das Rubricas.
São ab-rogados também os decretos e respostas às dúvidas da mesma Sagrada Congregação, que não concordam com a nova redação das Rubricas.
3º - Do mesmo modo ficam revogados os estatutos, os privilégios, os indultos e os costumes de qualquer gênero, mesmo os seculares e imemoráveis, inclusive os dignos de especialíssima e particular menção que se oponham a estas Rubricas.
4º - Os editores de livros litúrgicos, devidamente aprovados e permitidos pela Santa Sé, podem preparar as novas edições do Breviário e do Missal Romanos em conformidade com o novo Código de Rubricas. Mas, para assegurar a necessária uniformidade das novas edições, a Sagrada Congregação dos Ritos facilitará indicações especiais.
5º - Nas novas edições do Breviário ou do Missal, omitidos os textos das Rubricas de que se fala no n. 2, seja inserido o texto das novas Rubricas: no Breviário, as Rubricas gerais e as Rubricas gerais do Breviário Romano; no Missal, as Rubricas gerais e as Rubricas gerais do Missal Romano.
6º - Finalmente, todos aos quais compete, procurem que os Calendários e Próprios, tanto diocesanos como religiosos, sejam revisados o quanto antes conforme as normas e ao espírito da nova redação das Rubricas e do Calendário, e sejam aprovados pela Sagrada Congregação dos Ritos.
Depois de ter decretado quanto precede, cremos ser conforme a nosso ofício apostólico acrescentar algumas exortações.
Com essa nova disposição das Rubricas, por uma parte, o conjunto das Rubricas do Breviário e do Missal Romanos fica redatado de forma mais perfeita, disposto uma ordem mais clara e reunido em um único texto; por outra parte, são introduzidas modificações oportunas, que reduzem um pouco a extensão do Ofício Divino.
Este era o desejo de muitíssimos Bispos, principalmente em atenção a muitos sacerdotes que estão a cada dia mais sobrecarregados pelas preocupações pastorais.
Portanto, exortamos com coração paternal, a estes e a todos os que estão obrigados a recitar o Ofício Divino, a que procurem compensar o que foi abreviado no mesmo Ofício Divino com maior diligência e devoção em sua oração. E dado que as lições dos Santos Padres foram um tanto diminuídas, exortamos insistentemente a todos os sacerdotes para que tenham assiduamente em suas mãos, como texto de leitura e meditação, as obras dos Padres, cheias de tanta sabedoria e piedade.
Tudo o que decretamos e estabelecemos por esta Nossa Carta, dada de motu próprio, permaneça firme e de modo estável, sem que obste qualquer disposição contrária, inclusive digna de especialíssima e particular menção.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 25 do mês de julho de 1960, segundo de Nosso Pontificado.

PAPA JOÃO XXIII


Tradução: Diácono Jorge Luís

Nenhum comentário:

Postar um comentário